Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de julho de 2017
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu em tom crítico a avaliação do presidente Michel Temer (PMDB) de que não haverá quorum para votar a denúncia na semana que vem.
“Na minha opinião, haverá quorum”, disse nesta sexta-feira (28). “O Brasil precisa de uma definição sobre esse assunto e não se pode, do meu ponto de vista, respeitando a opinião de cada um, se jogar com um assunto tão grave como uma denúncia oferecida pela PGR contra o presidente da República”, afirmou após almoçar com o prefeito de São Paulo em exercício, Milton Leite (DEM).
“Nosso papel é votar. Quem quiser vota sim, quem quiser vota não. Mas não votar é manter o país parado.”
Maia negou que tenha traçado estratégias no jantar na véspera com Temer no Palácio do Jaburu.
Ele disse que não precisa conversar com líderes por ter certeza de que haverá quorum. “A oposição tem os seus votos, o seu trabalho, mas aqueles que são de partidos da base e votarão a favor da abertura da denúncia não têm nenhum motivo para obstruir a votação”, afirmou.
Maia calcula que a votação terá mais de 480 deputados presentes.
O presidente da Câmara defendeu a votação imediatamente após a volta do recesso para não “deixar o paciente no centro cirúrgico com a barriga aberta”. “Essa denúncia se não for resolvida é a doença. Porque a pauta do Congresso vai ficar parada.”
Temer passou a defender que seja convocada nova sessão parlamentar na segunda semana de agosto, alegando que os partidos de oposição farão obstrução, o que inviabilizaria uma votação, já que o Palácio do Planalto reconhece que não conta com 342 parlamentares governistas.
Meirelles
Maia, que assumirá a Presidência caso Temer seja afastado, elogiou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que vem sendo atacado especialmente após o anúncio de aumento de impostos sobre combustíveis, e disse reafirmar “meu compromisso, meu apoio” à política econômica desse governo.
“A gente não pode nem deve mexer sem motivo na meta fiscal que foi apresentada no início do ano, já temos um rombo fiscal gravíssimo no Brasil, então a gente precisa votar a denúncia exatamente para que a gente possa votar ao tema das reformas”, defendeu.
Temer tem sofrido pressão de aliados para revisar a meta fiscal do governo, hoje de R$ 139 bilhões. Segundo a colunista Mônica Bergamo, parlamentares já se articulam para apresentar projeto de lei aumentando o rombo em R$ 30 bilhões.
Índice de confiança de Temer é o mais baixo desde 2009
A poucos dias da Câmara dos Deputados votar a denúncia contra Michel Temer, uma pesquisa do Ibope Inteligência revela que a confiança da sociedade no presidente, no governo e no Congresso é a mais baixa em nove anos. A Presidência da República lidera a falta de confiança dos brasileiros.
O Índice de Confiança Social (ICS), divulgado nesta sexta-feira, 28, calcula de 0 a 100 a confiança dos brasileiros em 20 instituições. Neste ano, a maior queda no ranking foi a do presidente da República: caiu de 30 pontos, no ano passado, para 14 neste ano. Já o governo federal apareceu na segunda colocação: de 36 para 26 pontos.
Atrás da Presidência, as instituições nas quais os brasileiros menos têm crença são os partidos políticos (17 pontos) e o Congresso Nacional (18 pontos). Por outro lado, o Corpo de Bombeiros lidera o ranking com 86 pontos, como o mais confiável.
A média de confiança em todas as instituições, contudo, permaneceu estável, com 52 pontos.
O levantamento, que é feito desde 2009, sempre no mês de julho, acrescentou duas instituições que ganharam protagonismo recente no País: a Polícia Federal e o Ministério Público. A confiança dos brasileiros nelas está acima do governo e do Congresso. O MP permanece estável, com 54 pontos, e a PF conquistou mais confiança desde o ano passado, saltando de 66 para 70 pontos.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 19 de julho, com 2.002 pessoas a partir de 16 anos, em 142 municípios do País. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. (Folhapress/AE)
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