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Colunistas Maior que o abismo

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(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Como dizia Oswaldo Aranha, político e diplomata do Alegrete, quando, temerosos, correligionários interrogaram-no, ante uma das tantas crises pelas quais o Brasil estava passando: “o Brasil não cairá no abismo, simplesmente porque é MAIOR que o ABISMO”.

Não há dúvida que essa crise – 2015-2016 – é preocupante. O Brasil, vitimado pela incompetência incurável de alguns, que multiplicavam os efeitos negativos de sua irreversível inaptidão para gerir a coisa pública, posto que, detinham o poder (ignorância poderosa é uma combinação incapaz de produzir algo meritório) viu-se atacado, epidêmica e endemicamente (se isso fosse possível) por uma desavergonhada e “oficializada” corrida aos cofres públicos – como assaltantes –.

O país está ferido, envergonhado, ante o descompromisso de filhos seus que não tem o mínimo compromisso com a honestidade. São muitos. São, quase todos que, durante certo tempo, pelo Brasil afora, interpretaram a peça (uma peça não, uma fraude) intitulada “A moralidade é nossa”. Enquanto isso, a Petrobrás é depredada pelo assalto de quadrilha de farsantes.

Adotaram a “lição” (verdadeiro mandamento cínico) de Goebbels, que uma mentira repetidamente apresentada como verdade faz com que se creia nela como verdade. Raivosamente, com chavões quase dogmas do “nós” contra “eles”; dos pobres contra os ricos; dos “explorados” contra os “exploradores”; da classe dominante contra a dominada e, particularmente dos “idôneos falsos” contra os “injuriados corruptos”, estimularam a proposta do rancor.

Trouxeram para o debate a figura da inocência, mesmo contra a prova “abundante”, refugiando-se na fantasia como se fossem os bons, os sérios etc, em torno de nossas aspirações (sejam quais forem serão legítimas porque são nossas) e, disciplinadamente nos preparemos para grandes batalhas.

Livremos os que foram inseminados, com preceitos adulterados de protestos envenenados, especialmente os jovens, vendendo-lhes ilusões e fazendo-os, depois de crentes pelo caminho da credulidade, um número indefinido na submissão da impessoalidade, inimiga da força afirmativa da pessoalidade, penúltimo passo no caminho da personalidade.

A isso, principalmente nos últimos 15 anos, quando hospedados no Poder, dedicaram-se a progressiva decomposição de valores culturais. Derrubaram princípios morais e, muitas vezes, bastardamente também tentaram justificar por suas atitudes antijurídicas (para não dizer criminosas) desde que servissem à causa de “todo o poder para o grupo”.

Blindaram o Coletivo, originário do Partido aproveitando-se para fazer, do privado, bem usurpado por donos do Poder Público. Seu mundo, na verdade, empanturrou-se do apoderamento do bem público deixando que dele usufruíssem os “eleitos” pelo Partido e/ou pela Corporação.

Mas tamanho o despudor, incontáveis os desmandos com que foram envenenando a sociedade – durante bom tempo desatenta e até ingênua – que a reação tardou, mas veio às ruas numa pacífica ofensiva, de consciências liberando-se; enfim, de quem se apercebeu que tinha legitimidade testemunhal do mal sucedido.

E foi tão triste ante a constatação do mal feito de que fora vítima, que se criou um agridoce sentimento, de alegria, pela força redescoberta sem comandos impositivos, que ameaçavam o exercício do livre arbítrio de tantos quantos se encontravam e se reencontravam, libertos.

É uma reação firme de quem esteve, pacienciosamente, por tanto tempo calado; mas, para quem confundia a paciência generosa, com adesão passiva, temor ou alienação, a reação dos livres – sem partido político, sem sindicato, sem cargos em comissões – sem “quentinhas” – faz lembrar o pensamento de IONESCO: “as vezes, há muita gente mas poucas pessoas”. Nas passeatas pró-impeachment, havia uma multidão de pessoas ou seja, dos que foram por ato de vontade própria. Sem vassalagem, comandos, ameaças ou vantagens prometidas.

Enfim, conscientes, nas passeatas de milhões, são eles que garantem, confirmando Oswaldo Aranha, que o Brasil não cairá no abismo.

Carlos Alberto Chiarelli

(*) Doutor em Direito

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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