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Saúde Medicamento contra progressão do Alzheimer chega ao País em junho

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O medicamento, que será administrado por infusão venosa quinzenal, é o segundo aprovado no País contra a doença. (Foto: Reprodução)

O lecanemabe, um novo medicamento contra o Alzheimer, deve chegar ao mercado brasileiro em junho deste ano. O remédio foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2025.

Para um mês de tratamento, o preço do medicamento, sem taxas e impostos, será de R$ 8.108,94. Com a aplicação de uma alíquota de 18%, comum na maioria dos estados, o valor chega a R$ 11.075,62.

O lecanemabe é um medicamento biológico. Esse tipo de produto é produzido a partir de organismos vivos, como células e tecidos, e atua para reconhecer alvos específicos dentro do organismo. Contra o Alzheimer, ele atua sobre as protofibrilas de beta-amiloide, formas tóxicas da proteína que se acumulam no cérebro e causam a morte dos neurônios.

Segundo Tatiana Branco, diretora da área médica da Biogen no Brasil, farmacêutica responsável pelo produto, o principal diferencial do lecanemabe é seu duplo mecanismo de ação. O medicamento não só remove a porção tóxica da beta-amiloide já presente no cérebro. Ele também reduz a formação de novas placas.

“O produto representa uma evolução no tratamento da doença do Alzheimer porque, até então, só tínhamos medicamentos sintomáticos”, destaca Tatiana. “A gente também observou, no estudo clínico, uma redução de 27% no declínio e no comprometimento clínico dos pacientes que usaram o medicamento ao longo de 18 meses.”

Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico New England Journal of Medicine. Ao todo, 1.795 pessoas participaram da análise, realizada de forma multicêntrica na América do Norte, Europa e Ásia.

“(Os resultados) mostram que o medicamento proporciona mais tempo de independência ao paciente, ele não vai precisar de outras pessoas, manterá a dignidade, uma vez que ele consegue realizar suas atividades e terá mais tempo de memória preservada”, ressalta Tatiana.

Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, empresa também responsável pelo produto, pondera que o lecanemabe é um medicamento para evitar a progressão da doença. “Ele não tem como finalidade reverter o que já aconteceu do ponto de vista cognitivo”, explica.

O indicado, de acordo com ele, é que o remédio seja usado em fases iniciais da doença, como o comprometimento cognitivo leve e a demência leve ligada ao quadro. “Daí a necessidade do diagnóstico precoce para que os pacientes possam colher o melhor benefício que o medicamento pode proporcionar”, pontua Nascimento.

O lecanemabe é o segundo medicamento liberado no Brasil para pacientes com Alzheimer. Em abril de 2025, a Anvisa aprovou o donanemabe (Kisunla), da Eli Lilly. Os dois fármacos têm ação semelhante, agem na proteína beta-amiloide, mas em etapas diferentes do processo de formação dessa proteína. Não há estudos comparativos diretos entre as duas drogas.

Especialistas alertam, porém, que apesar dos resultados positivos nos estudos, os benefícios clínicos são modestos e nem sempre superam os riscos.

Modo de uso

Segundo o diretor médico da Eisai, a aplicação do medicamento ocorre por infusão venosa a cada duas semanas, em ambiente clínico. A dose é de 10 miligramas (mg) por quilo de peso do paciente.

“O procedimento dura cerca de uma hora. Depois disso, ele está liberado para ir para casa e seguir os próximos 15 dias realizando suas atividades do dia a dia”, detalha Nascimento.

Efeitos colaterais

Segundo o estudo clínico, o lecanemabe está associado a alguns efeitos colaterais. As reações mais comuns incluem eventos ligados à infusão, como febre e desconforto, além de dor de cabeça e quedas.

Em menor proporção, esses efeitos podem causar sintomas como confusão, tontura e alterações visuais, conforme a publicação. Casos mais graves foram raros, mas incluíram eventos cardíacos e sangramentos cerebrais.

A definição de preços de medicamentos no Brasil é conduzida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que leva uma série de questões em consideração, como o preço praticado em outros países, o grau de inovação da molécula e os benefícios clínicos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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