Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 12 de abril de 2017
A quebra de protocolo de um hospital dinamarquês – que, a pedido de um paciente em situação terminal, lhe serviu um cigarro e uma taça de vinho – foi um gesto de humanidade e digno de elogios. Essa é a opinião de Joaquim Antonio Cesar Mota, coordenador da disciplina de Bioética da Universidade Federal de Minas Gerais.
De acordo com Mota, a equipe médica deve manifestar compaixão com o paciente, ao invés de tentar prolongar a sua vida a qualquer custo. “O paciente se despediu da vida da maneira como achava melhor: vendo o pôr do sol, fumando um cigarro e tomando um vinho”, avalia. “Se foi o seu desejo, acho que os profissionais fizeram bem em atendê-lo. Mas, por uma questão de prudência, a família também deve ser comunicada. É uma questão de respeito.”
Com um aneurisma na aorta e hemorragia interna, Carsten Flemming Hansen, de 75 anos, estava internado no Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, e poderia morrer em dias ou horas. Como o fumo é proibido, as enfermeiras que o tratavam desafiaram as normas da instituição e o levaram em uma cadeira de rodas até uma varanda. Lá, ele realizou seu último desejo de fumar um cigarro e beber uma taça de vinho branco gelado.
O fato foi registrado na página do hospital no Facebook na última sexta-feira, dia da morte de Hansen, com o consentimento da sua família. Mette Oro Beth, filha de Hansen, elogiou a “simpatia e ternura” das enfermeiras ao realizar o último desejo do seu pai. O caso teve ampla repercussão no país – a maioria defendeu a decisão das enfermeiras dinamarquesas. (AG)
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