Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2023
Branco, alto, musculoso, olhos claros e loiro. As características físicas do médico gaúcho Gabriel Rossi, de 29 anos, teriam sido usadas por ele como recurso para supostamente aplicar golpes financeiros, de acordo com a Polícia Civil. O rapaz foi morto por cobrar uma suposta dívida de R$ 500 mil do grupo de estelionatários do qual também faria parte, segundo as investigações.
Seu corpo foi encontrado com pés e mãos amarrados, em uma casa de aluguel por temporada, em Dourados (MS), no dia 3 de agosto. Passados quatro dias após o crime, quatro suspeitos foram presos por envolvimento no crime, em Pará de Minas (MG), e no outro dia a Polícia Civil trouxe os envolvidos até Dourados.
Bruna Nathália de Paiva foi presa como mandante do crime. Ela, que participava do grupo de estelionatários, estaria devendo dinheiro ao médico e o teria matado para não pagar a dívida, de acordo com as investigações.
Conforme o portal de notícias G1, Gabriel faria parte da organização criminosa que aplicava golpes com documentos de pessoas mortas. Ele teria clonado cartões de crédito e sacado dinheiro de benefícios em contas correntes das vítimas.
O delegado que investiga o assassinato de Gabriel, Erasmo Cubas, detalhou a participação do médico na organização criminosa. O médico teria feito uso da aparência física como estratégia para aplicar os golpes, segundo Cubas.
“Gabriel era a ponta do golpe. O médico utilizava da aparência e da beleza delega para aplicar o golpe. A vítima participava da ponta do esquema golpista”, detalha o delegado.
Gabriel seria o responsável pelo último passo do golpe, com o suposto saque do dinheiro dos benefícios de pessoas mortas e dos cartões clonados.
“Gabriel emprestava o nome para clonagem de cartões e o rosto dele para montagem em documentos de pessoas que não existiam, que não tinham conta ou até mortos. Gabriel ia ao banco sacar o dinheiro da organização criminosa. O médico se envolveu em uma história de fraudes e golpes”, declarou o delegado.
Natural da cidade gaúcha Santa Cruz do Sul (Vale do Rio Pardo), Gabriel se mudou para o Mato Grosso do Sul especificamente para começar a graduação em Medicina. Amigos próximos o descrevem como uma pessoa “alegre, de muitos amigos e que lutou muito para se formar”.
“O Gabriel sempre falou sobre ser médico e como ele lutou muito por isso, sempre muito obstinado. Teve muitos motivos para não seguir, mas persistiu. Ele sempre foi de muitos amigos. Muito parceiro, alegre, gostava de estar entre amigos, festa, viagem, natureza, acreditava muito em energia”, disse uma amiga.
Gabriel se formou em Medicina, no começo deste ano, pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). O médico morava em um apartamento na cidade. Assim que terminou a graduação, em março deste ano, Gabriel começou a trabalhar no Hospital da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems).
De acordo com a polícia, Bruna contratou Gustavo Kenedi Teixeira, Keven Rangel Barbosa e Guilherme Augusto Santana por R$ 150 mil para eles matarem o médico.
Conforme o delegado Erasmo Cubas, Bruna planejou todo o crime e ainda ficou com o celular de Gabriel após a morte dele. Em troca de mensagens, a suspeita teria se passado pelo médico e solicitado dinheiro a amigos da vítima. Apenas neste momento, a mulher conseguiu R$ 2,5 mil.
Após o crime, a mulher “deu o calote” nos homens contratados. Dos R$ 150 mil, pagou apenas R$ 20 mil para ser dividido entre os três homens.
Gabriel foi asfixiado com sacolas plásticas e torturado por várias horas antes de morrer, segundo o laudo necroscópico. O exame mostra que o médico teve a garganta perfurada e morreu, possivelmente, por asfixia.
Além das torturas, o médico agonizou por 48 horas antes de morrer. Essa foi a conclusão da perícia após os primeiros exames.
Quando foi achado morto, Gabriel ainda usava o uniforme que os médicos utilizam no hospital particular, conhecido como scrubs hospitalar. As informações são do portal de notícias G1.
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