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Saúde Médicos alertam para perda muscular como efeito do emagrecimento

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Pessoas de mesmo peso podem ter diferentes composições musculares. (Foto: Pixabay)

Nenhuma revolução está isenta de problemas. No caso das canetas emagrecedoras, um dos principais é a perda de músculos. Ela se manifesta em forma de flacidez, os “rostos e corpos de Ozempic” das redes sociais. A pessoa “derrete” porque perde muita musculatura junto com a gordura. Mas a flacidez é só a face visível e menos grave de um problema muito maior: a perda de massa muscular.

As canetas proporcionam uma perda de peso média de 20%, em cerca de um ano. Mas nem tudo é gordura. Em alguns casos, até quase metade é músculo.

“A perda muscular é um ponto crítico do uso de canetas”, afirma Lício Velloso, especialista em obesidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Perda muscular não é mera questão cosmética. Afeta mobilidade, metabolismo, força, imunidade e cognição. Redução maciça de músculos tem o efeito de, a grosso modo, acelerar o envelhecimento. A expressiva perda de massa muscular não é causada diretamente pelas drogas e sim pelo grande emagrecimento rápido.

Não é motivo para quem tem recomendação médica deixar de usar as drogas, mas para fazê-lo da forma correta, frisa Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Correto significa com orientação médica, dieta proteica e atividade física.

“A perda de massa magra é um dos fatores mais preocupantes. Temos pessoas jovens que desenvolvem sarcopenia (perda severa de músculos, quase sempre associada ao envelhecimento) devido ao uso dessas medicações sem orientação adequada”, afirma Cynthia Valério, presidente-eleita da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Autora de estudos sobre o tema, Carla Prado, diretora da Unidade de Pesquisa em Nutrição Humana da Universidade de Alberta, no Canadá, alerta que a baixa massa muscular é associada ao aumento do risco de mortalidade para uma série de doenças, a começar pelas cardiovasculares.

E a onda de perda de massa muscular é tão preocupante que um número crescente de laboratórios farmacêuticos desenvolve medicamentos para estimular o crescimento de músculos.

O tamanho do problema

A perda de massa muscular varia de 25% a 39% do peso total perdido, ao longo de 36-72 semanas. “Essa perda muscular substancial pode ser amplamente atribuída à magnitude da perda de peso, em vez de um efeito independente dos agonistas do receptor de GLP-1, embora essa hipótese precise ser testada”, diz artigo liderado por Carla Prado, na Lancet Diabetes & Endocrinology.

“São drogas revolucionárias para a perda de peso, mas não foram feitas para todo mundo. As pessoas perdem muito músculo mesmo”, enfatiza Prado.

José Donato Junior, chefe do Laboratório de Neuroendocrinologia e Metabolismo da Universidade de São Paulo (USP), diz que não dá para ter ilusão. Há um limite fisiológico de perda de gordura por semana. O resto do peso perdido é massa magra.

Prado observa que é uma falácia dizer que a perda de massa muscular não é tão importante porque é uma parte da massa magra, também composta por água, tecido conectivo, por exemplo. Os músculos representam cerca de 50% da massa magra. É muita coisa. E, por isso, a perda de massa magra reflete bem a de músculos, diz Prado.

Envelhecimento acelerado

Nenhuma outra terapia causa tamanha perda. Dietas de baixa caloria levam a uma perda de 14% de músculos. De muito baixa caloria de até 23%, mas essas dietas, na prática, são impossíveis de seguir. Na cirurgia bariátrica, há redução por volta de 21%, diz Prado.

O declínio na massa muscular também é maior do que o esperado no envelhecimento (0,8% por ano, com base em 8% de perda muscular por década dos 40 aos 70 anos).

Num exemplo, um homem de 50 anos, com 110 kg iniciais (35 kg de músculo esquelético) que use semaglutida por 68 semanas e perca 20 kg (18% do peso) terá perdido 15 kg de gordura e 5 kg músculo (25% da perda total, o equivalente a cerca de 14% da sua massa muscular inicial).

A taxa natural média de perda de massa muscular na faixa dos 50 anos é de 0,5% a 1% da massa muscular/ano. Isso equivaleria a perder em cerca de um e três meses o que seria esperado em nove anos de envelhecimento.

Por que músculos importam

Os músculos esqueléticos fazem bem mais do que permitir a sustentação e todo tipo de movimento do corpo. Eles são importantes para prevenir e controlar inflamação e doenças tão variadas quanto câncer, diabetes, demências, fragilidade óssea.

“Músculos são nossa maior reserva casos de infecção, traumas e recuperação de cirurgias”, acrescenta José Cesar Rosa Neto, do Laboratório de imunometabolismo da Universidade de São Paulo (USP).

Os cerca de 700 músculos esqueléticos são o maior órgão endócrino do corpo. Eles produzem ao menos 650 substâncias, muitas delas hormônios e outras proteínas importantes para o metabolismo, o cérebro e a defesa contra doenças. Fica nos músculos a reserva de aminoácidos do sistema imune quando pegamos uma infecção, por exemplo.

Quem é mais vulnerável

Pessoas de mesmo peso podem ter diferentes composições musculares. Quanto menos musculatura, pior o desfecho. Pessoas sedentárias terão uma perda maior do que aquelas que fazem atividade física.

Assim como pessoas sem sobrepeso significativo ou até magras que buscam atender desejos estéticos vão pagar em músculo parte da perda de peso. Elas já não têm muita gordura a perder. O uso estético preocupa porque as pessoas perdem músculos dos quais precisam, explica José Cesar Rosa Neto.

Já pessoas com Índice de Massa Corporal acima de 27 e comorbidades e obesos (acima de 30) têm indicação garantida.

“Quem tem acompanhamento médico, faz dieta adequada e atividade física não tem perda significativa”, diz Macedo. As informações são do jornal O Globo.

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