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Mundo Médicos realizam transplantes de rins e fígado em pacientes com aids nos Estados Unidos

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Até 2013, era proibido usar órgãos de um doador portador de HIV para transplantes nos Estados Unidos. (Crédito: Reprodução)

Médicos americanos realizaram o primeiro transplante de fígado no mundo entre um doador com aids e um paciente também HIV positivo, três anos após este tipo de operação ser autorizada nos Estados Unidos.

O fígado de um doador morto foi transplantado para um paciente que contraiu o vírus causador da aids há mais de 20 anos, segundo informação dos médicos da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos. Um rim do mesmo doador foi transplantado para outro paciente – nesse caso, foi o primeiro dos EUA.

Até 2013, era proibido usar órgãos de um doador portador de HIV para transplantes nos Estados Unidos, mas a escassez de órgãos no país faz com que muitos pacientes morram à espera de uma cirurgia. A utilização de órgãos de pessoas com HIV poderia salvar cerca de mil vidas por ano, explicou Dorry Segev, professor de cirurgia na Faculdade de Medicina Johns Hopkins.

“Algumas semanas atrás, foi realizado o primeiro transplante de fígado HIV-HIV no mundo, e o primeiro transplante de rim HIV-HIV nos Estados Unidos”, disse Segev. “Este é um dia muito emocionante para nós. Mas é só o começo”, assinalou.

Tais operações envolvem riscos “únicos”, como o receptor estar exposto a uma segunda estirpe do vírus HIV, disse Christine Durand, professor assistente de medicina e oncologia na Johns Hopkins University. Ambos os pacientes receptores se recuperaram sem problemas das operações, informaram os integrantes da equipe médica.

Hoje, cerca de 122 mil pessoas aguardam na lista por um transplante de órgãos nos Estados Unidos.

Órgãos importantes para soropositivos.
Grande parte dos infectados pela aids sofre de hepatite, por isso necessitam novos fígados. Os rins também são órgãos muito requeridos pelo dano causado devido ao uso prolongado de remédios antirretrovirais.

Segev ressaltou que o transplante de órgãos “é, de fato, inclusive mais importante para pacientes com o vírus, já que morrem na lista de espera com maior rapidez que os doentes sem o vírus”.

A HIV Medicine Association, que foca nos estudos da aids, ressaltou a importância do marco médico ao assegurar que “os doadores mortos com esta mesma infecção representam a única fonte de órgãos com o potencial para salvar centenas de pacientes infectados que lutam contra problemas hepáticos e renais ao ano”. (AG)

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