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Por Redação O Sul | 27 de maio de 2021
O mercado de trabalho no Brasil vive seu pior momento em mais de um ano de pandemia, confirmou nesta quinta-feira (27) Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa de desocupação do país subiu de 13,9% no quarto trimestre de 2020 para um ápice de 14,7% no primeiro trimestre de 2021, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo instituto.
“Aumentar a desocupação no primeiro trimestre não é uma situação específica deste ano de 2021, é um comportamento relativamente esperado para esse momento do ano. Essa sazonalidade pode estar sendo reforçada pelo acúmulo que a gente vem tendo ao longo de 2020 de uma queda muito significativa de pessoas ocupadas, na medida que o tempo vai passando, e as pessoas passam a pressionar mais o mercado de trabalho em busca de ocupação”, explicou Adriana.
O país registrou um recorde de 14,805 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em março, 880 mil pessoas a mais em busca de uma vaga em relação ao trimestre encerrado em dezembro. Em relação a março de 2020, o número de desempregados aumentou 15,2%, 1,956 milhão de pessoas a mais procurando trabalho.
“Os que contribuíram para o aumento na desocupação foram mulheres, pretos e pardos, e, em termos regionais, norte e nordeste do país”, apontou Adriana.
Já a população ocupada somou 85,650 milhões de pessoas, 529 mil trabalhadores a menos em um trimestre. Em relação a um ano antes, 6,573 milhões de pessoas perderam seus empregos.
A taxa de desemprego só não subiu ainda mais porque a população inativa cresceu a 76,483 milhões de pessoas, 225 mil a mais que no trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2020, a população inativa aumentou em 9,202 milhões de pessoas.
Considerando todos os subutilizados, faltou trabalho para um recorde de 33,202 milhões de pessoas no país no primeiro trimestre de 2021. A conta inclui as pessoas em busca de emprego, quem está trabalhando menos horas do que gostaria e poderia, além das pessoas que não estão procurando vaga mas estão disponíveis para trabalhar, como os desalentados.
Para Adriana, o avanço da desocupação e da subutilização é maior atualmente em função da crise no mercado de trabalho provocada pela pandemia.
“É uma conjunção de fatores. No primeiro trimestre, a gente tem a questão tanto da crise em si, que está comprometendo a absorção da mão de obra, e o momento que é propício ao aumento da desocupação”, contou Adriana. “De fato, esse primeiro trimestre pode ser visto como um momento bastante desfavorável para o mercado de trabalho.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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