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Geral Mesmo com a cotação em baixa, o Brasil se dá bem exportando petróleo

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A balança comercial brasileira do petróleo e derivados teve superávit de US$ 13,8 bilhões de janeiro a agosto, recorde para o período. (Foto: Divulgação)

Mesmo com o ajuste das cotações de petróleo em relação aos altos preços do ano passado, a balança comercial brasileira da commodity e derivados teve superávit de US$ 13,8 bilhões de janeiro a agosto, recorde para o período. Em iguais meses do ano passado o saldo positivo foi de US$ 10,35 bilhões. O superávit comercial do setor também bateu recorde em 2022, em bases anuais, com total de US$ 15,48 bilhões, segundo o Indicador de Comércio o Exterior (Icomex) levantado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Ainda que a perspectiva de mais longo prazo seja de maior ajuste nas atuais cotações de petróleo e o movimento global de transição energética seja considerado, especialistas apontam que a commodity deve continuar importante na exportação brasileira, puxada principalmente por volumes, em quadro alinhado ao esperado aumento de produção até o fim desta década. A incerteza está no mapa de destinos do petróleo brasileiro.

O aumento do volume de exportação já marca os embarques do setor de petróleo. Os dados do Icomex mostram que de janeiro a agosto deste ano os preços médios de exportação de petróleo e derivados caíram 25% contra iguais meses do ano passado enquanto os volumes cresceram 25,4%. Considerando somente o embarque de petróleo bruto, houve alta de 30% do volume em agosto e queda de preço médio de exportação de 23,8%, contra igual mês de 2022.

“Hoje o Brasil tem uma produção maior do que muitos países da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]. E, em espaço curto de tempo, se tornou exportador relevante no mercado internacional”, diz Helder Queiroz, professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O petróleo bruto é o segundo produto mais exportado pelo Brasil, responsável por 11% da receita de embarques de janeiro a agosto, atrás somente da soja, com 19%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic). Em 2022 foram embarcados US$ 42,6 bilhões em petróleo bruto, o equivalente a 13% do total das exportações brasileiras, fatia apenas um ponto percentual atrás da soja.

O resultado da balança comercial de petróleo e derivados, porém, depende também das importações, principalmente de derivados, das quais o Brasil é dependente, em razão da capacidade limitada de refino. “Graças, entre outras coisas, ao pré-sal, o Brasil alcançou a autossuficiência de petróleo já há mais de dez anos, mas, para os derivados, isso não chegou e não chegará”, diz Queiroz.

Os dados do Icomex mostram que a balança de petróleo e derivados é superavitária desde 2016 e neste ano o saldo positivo cresceu em relação a 2022 porque o valor de importação recuou mais que o da exportação. A receita de exportação de petróleo e derivados somou US$ 33,6 bilhões de janeiro a agosto, 7,4% menos que iguais meses de 2022. A importação do mesmo grupo de produtos totalizou US$ 19,8 bilhões, 23,6% a menos que em 2022. A importação de petróleo e derivados caiu 18,1% em preço médio e em 6,6% em volume, sempre na mesma comparação.

Dentro dos derivados, Queiroz exemplifica com diesel. O Brasil produz cerca de 75% da demanda desse combustível e importa o resto, diz. “Para ser autossuficiente, teria de construir mais duas ou três refinarias, o que não está no horizonte. Não dá para fazer uma refinaria para tirar mil barris, tem uma escala mínima, pra mais de 250 mil barris. Uma refinaria com esse porte gira em torno de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões.”

Além disso o mundo caminha para diminuir, e não aumentar, diz Queiroz, o consumo de combustíveis fósseis. “Não é razoável imaginar que, daqui 50 anos, teremos a mesma demanda de hoje. Com a limitação da capacidade de refino, o esperado aumento de produção de petróleo deve ter boa parte direcionada à exportação, diz Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador do Ibre. As informações são do jornal Valor Econômico.

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