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Geral Das 18 empresas brasileiras que abriram capital nas bolsas de Nova York desde 2017, apenas quatro tiveram sucesso

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Em rota inversa, as companhias brasileiras listadas em NY agora miram a B3. (Foto: Divulgação)

Um grupo de empresas brasileiras que escolheu as bolsas dos Estados Unidos para se listar nos últimos anos está começando a pavimentar o caminho de volta ao Brasil, depois de amargar o esquecimento de suas ações por investidores. Até aqui, duas companhias do setor educacional, Vitru e Arco, já iniciaram os trâmites para se despedir da Nasdaq, conhecida por abrigar gigantes do setor de tecnologia. Nesse processo, a Vitru anunciou intenção de migrar para a B3 (a Bolsa de Valores brasileira) e a Arco, por sua vez, de fechar o capital.

Depois da decisão da Vitru, que marcará a primeira vez que uma empresa brasileira faz essa rota após abrir o capital nos Estados Unidos, outras devem seguir o mesmo processo, de acordo com informações do jornal Valor Econômico. Está em discussão em muitas delas, segundo fontes, a possibilidade de fechar capital, dado o atual valor de mercado, e repensar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) mais à frente ou a migração de bolsa de valores, a exemplo da Vitru. Segundo uma fonte, grande parte dessas companhias colocaram o assunto na mesa para estudo, com atenção para a falta de liquidez e os custos envolvidos.

Das 18 empresas que abriram capital nas bolsas de Nova York desde 2017, apenas quatro, todas ligadas ao setor financeiro, têm mais liquidez diária, ou seja, são negociadas entre os investidores: Nubank, XP, Stone e PagBank (antiga PagSeguro), com giro médio diário de US$ 143 milhões, US$ 93 milhões, US$ 64 milhões e US$ 44 milhões, respectivamente. Dentre elas, o Nubank fez uma dupla listagem, em Nova York e na B3, no fim de 2021, mas deixou de ser listada no mercado brasileiro meses depois. Outras 14 empresas não chegam a US$ 4 milhões em volume em negociação diária, sendo que dez delas têm menos de US$ 1 milhão, valor que as coloca fora do radar dos fundos.

Essas empresas sem liquidez são apelidadas de “ações órfãs”, por não terem visibilidade mínima, o que se reflete na baixa liquidez e até mesmo em valor de mercado. Outra característica, que acaba influindo na própria liquidez, é a cobertura de analistas, um chamariz importante para a atração de investidores. As empresas com mais liquidez contam com a cobertura de mais de analistas, mas várias das demais contam apenas com a cobertura de analistas locais. Mesmo no caso da XP, acompanhada por 12 analistas, apenas deles um é global, conforme dados que constam no site de relação com investidores dessas companhias.

Segundo o diretor de relacionamento com clientes da B3, Rogério Santana, muitas das empresas que abriram capital nos últimos anos conseguiram bons “valuations” (avaliações de mercado) nos Estados Unidos. Isso aconteceu especialmente na pandemia, diante do excesso de liquidez nos mercados com a injeção de recursos pelos bancos centrais em todo mundo. No entanto, houve uma reversão de cenário com o aumento dos juros globalmente. “O mercado americano tem a maior capacidade de atrair capital do mundo e não há dúvidas sobre isso, mas houve uma confusão sobre o que era um efeito da liquidez global sem precedentes”, diz Santana. “Vários que abriram capital se tornaram um negócio pequeno para aquele mercado, disputando atenção com outras 8 mil empresas.”

O executivo da bolsa brasileira analisa que, com a alta dos juros e as empresas ficando meio de lado para os investidores, sem liquidez, as vantagens do mercado americano se perderam. Porém, os custos ficaram – não só os financeiros, mas os operacionais e regulatórios, como a necessidade de publicação de todos os documentos em outro idioma e a necessidade de cumprir regras de outro país.

Para Santana, as empresas que já eram de grande no momento da oferta não escaparam da volatilidade do mercado, mas conseguiram se manter relevantes nos Estados Unidos e no radar de investidores. “Também pode fazer sentido estratégico para a empresa estar listada fora”, acrescenta.

Estudo feito pelo banco Safra mostra que as bolsas nos Estados Unidos podem ser um espaço para empresas que têm condições de ter um volume de ações em livre circulação, o chamado “free float”, correspondente a um mínimo de US$ 1 bilhão e um valor de mercado de US$ 2 bilhões para terem visibilidade relevante no mercado americano. O levantamento aponta que esse é o caso apenas das quatro empresas brasileiras com mais liquidez diária nas bolsas americanas.

“Dependendo do tamanho da empresa, pode ser melhor no longo prazo a listagem na B3. Sem a liquidez, as empresas não conseguem atrair a base diferenciada de investidores que estavam buscando, nem a base de investidores brasileiros, que seriam mais leais no longo prazo”, afirma o responsável pelo banco de investimento do Safra, Evandro Pereira. As informações são do jornal Valor Econômico.

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