Sábado, 30 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de maio de 2020
Com a disparada do câmbio e do barril do petróleo nas últimas semanas, a Petrobras aumentou os preços da gasolina em 12% na última quinta-feira. A alta irritou o presidente Jair Bolsonaro. Mas, mesmo assim, especialistas do setor estimam que a gasolina vendida nas refinarias da Petrobras está em torno de 30% abaixo das cotações internacionais.
De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), é natural que a Petrobras não tenha repassado todo o aumento do petróleo e do dólar de uma só vez aos preços no mercado interno. Segundo ele, se isso fosse feito, um aumento muito elevado, acima de 30%, causaria impacto na economia nacional.
“O mercado de petróleo funciona olhando o futuro. Há a expectativa de abertura da economia nos EUA e na Europa. E um dos produtos a aumentar o consumo são os combustíveis. Por isso, o petróleo já chegou a quase US$ 32 o barril”, destacou Adriano Pires.
Em abril, o preço da gasolina registrou queda de 9,31% no Brasil, segundo o IBGE, provocando uma deflação de 0,31% no IPCA. Mas, segundo Pires, o movimento pode mudar a partir de maio. Ele acredita que a cotação do petróleo vai continuar acima de US$ 30 o barril, forçando a estatal a anunciar novos reajustes na gasolina e também no diesel.
Entenda o que está acontecendo com os preços:
– O preço da gasolina está defasado no Brasil em relação ao praticado no mercado internacional? “Sim. Os preços da gasolina nas refinarias da Petrobras, apesar do aumento de 12% feito pela companhia no último dia 6 ainda está inferior em torno de 25% a 30% aos preços internacionais. A queda vai depender do porto que importa o produto. De acordo com especialistas, a Petrobras levou um tempo maior para reajustar seus preços, apesar da disparada do câmbio e da ligeira recuperação das cotações de petróleo, porque avaliou que seria difícil fazer um reajuste elevado de 30% de uma só vez no momento atual de crise econômica e forte queda no consumo por conta da quarentena. A expectativa é de que na próxima semana a Petrobras promova novos reajustes tanto para a gasolina como para o diesel se o petróleo continuar na faixa dos US$ 30 o barril.”
– Quanto o preço da gasolina já caiu no ano e por que a Petrobras decidiu reajustar o combustível nesta semana? “Neste ano, o preço da gasolina acumula redução de 46,6% nas refinarias. O litro da gasolina custa em média R$ 1,02 nas refinarias, o menor valor desde setembro de 2005. Na última quinta-feira, a estatal reajustou a gasolina em 12% nas refinarias devido ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo a Bloomberg, o barril do tipo Brent, usado como referência internacional, viu o preço subir de US$ 19,33, no dia 21 de abril, para US$ 31 no dia 5 de maio, forçando a estatal a reajustar seus preços. A alta do dólar frente ao real é outro motivo para o reajuste. Desde fevereiro, data do último reajuste da gasolina nas refinarias, a moeda americana pulou de R$ 4,39 para R$ 5,70.”
– Por que o preço do petróleo teve quedas bruscas neste ano e o que explica a recente alta? “O preço do petróleo caiu mais da metade desde o início deste ano. Primeiro, a falta de acordo entre os integrantes da Opep, que reúne os maiores produtores do mundo, e a Rússia, derrubou os preços, com um excesso de oferta sem que houvesse aumento na demanda. Depois, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou pandemia do coronavírus, o petróleo despencou mais ainda. Na mínima do ano, em 21 de abril, a cotação do Brent chegou a US$ 19,33. Nesta última semana, o preço do petróleo se recuperou, superando os US$ 30, devido às expectativas positivas da retomada da economia com a abertura gradual na Europa e nos Estados Unidos.”
– Por que a queda de preço nas refinarias não chega com a mesma intensidade às bombas? “Uma das explicações é que os estoques, tanto das distribuidoras quanto dos postos, estão elevados por causa da queda no consumo. Além disso, a parcela da Petrobras na composição do preço final na gasolina é de apenas 18% — que se somam a impostos federais de 18% (Cide, Pis-Confins) e estaduais (ICMS, de 33% em média), além de 11% do custo do etanol anidro que é adicionado à gasolina e de 20% de margem da distribuição e revenda. Ou seja, tem muitos outros elos no caminho da gasolina da refinaria até o posto que influenciam para a composição final de seus preços.” As informações são do jornal O Globo.
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