Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020

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Mundo O México ofereceu asilo ao ex-presidente boliviano Evo Morales

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Evo Morales renunciou no domingo. (Foto: ABI/Fotos Públicas)

O México ofereceu, nesta segunda-feira (11), asilo ao ex-presidente Evo Morales e anunciou já ter recebido 20 integrantes do Legislativo e do Executivo da Bolívia em sua embaixada em La Paz, afirmou pelo Twitter o ministro das Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard.

“México, seguindo sua tradição de asilo e não intervenção, recebeu 20 personalidades da Bolívia na residência oficial em La Paz e decidiu oferecer asilo também a Evo Morales”, disse.

Dentro da embaixada, ministros, deputados e senadores do partido MAS, de Evo, estarão protegidos de pedidos de prisão, porque já estarão sob as leis do governo mexicano. Se Evo aceitar a oferta de asilo, também contará com essa proteção.

Vários dos abrigados na embaixada afirmaram que suas famílias haviam sido ameaçadas. Manifestantes queimaram casas de várias autoridades no país.

Evo renunciou à Presidência da Bolívia em pronunciamento na televisão às 18h (horário de Brasília) de domingo (10), da cidade de Cochabamba, após pressão das Forças Armadas e protestos intensos nas grandes cidades do país.

Ele havia anunciado a convocação de novas eleições na manhã de domingo, depois que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pediu a anulação do pleito boliviano na sequência de auditoria realizada na contagem dos votos.

Após a renúncia, Evo disse, em uma rede social, que um policial anunciou ter um mandado de prisão para prendê-lo. O ex-presidente da Bolívia afirma que a ação é ilegal.

“Eu denuncio ao mundo e ao povo boliviano que um policial anunciou publicamente que ele foi instruído a executar um mandado de prisão ilegal contra mim; da mesma forma, grupos violentos assaltaram minha casa. Os golpistas destroem o Estado de Direito”, escreveu o ex-mandatário.

A tensão na Bolívia vinha escalando nas últimas semanas por conta de enfrentamentos entre apoiadores e críticos de Evo, que o acusam de fraude. Desde sexta (8), houve levantes de policiais e militares que se recusaram a tomar ações de repressão contra opositores, enquanto Evo acusava uma “tentativa de golpe de Estado”.

Os resultados contraditórios divulgados após as eleições do último dia 20 de outubro, que conferia um quarto mandato a Evo, foram o estopim da crise.

O órgão eleitoral iniciou uma contagem rápida, que indicava a realização de um segundo turno até os 80% das atas apuradas. Três horas depois, porém, essa contagem foi interrompida por 24 horas, enquanto se acelerou a contagem voto a voto.

Quando por fim foram anunciados os resultados, Evo estava na frente por pouco mais de dez pontos percentuais de vantagem, o que o levaria a conquistar seu quarto mandato já num primeiro turno.

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