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Notícias Michel Temer tenta manter o ministro da Justiça apesar da pressão do Rio de Janeiro

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Segundo o ministro da Justiça, Torquato Jardim, Temer busca um perfil de "repercussão nacional" para ocupar o comando da pasta. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente Michel Temer quer preservar o ministro da Justiça, Torquato Jardim, no comando da pasta, mas se o embate com autoridades do Rio de Janeiro agravar-se, essa decisão poderá ser revista. O ministro colocou sob suspeita o comando da Polícia Militar fluminense em declarações consideradas graves no Palácio do Planalto. Mas Temer prefere aguardar os desdobramentos dos fatos nesta semana, quando a bancada fluminense tentará convocar o ministro para dar explicações na Comissão de Segurança Pública da Câmara.

O governo já entrou em campo para evitar a convocação de Torquato no colegiado. A preocupação de auxiliares de Temer volta-se para o retorno do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a Brasília, o que deverá ampliar a repercussão do episódio. Do exterior, Maia já afirmou que as declarações de Torquato “atrapalham” as parcerias da União no combate ao crime. Ontem, entretanto, ainda durante a viagem, Maia baixou o tom de suas declarações: ponderou que Torquato pode ter falado a verdade “de forma errada”.

Fontes do governo ressaltam que, há cerca de um mês, o próprio Rodrigo Maia também fez duras críticas à cúpula da segurança pública do Rio. No final de setembro, após a operação de invasão da Rocinha em busca da quadrilha do traficante Nem, Maia cobrou a exoneração do secretário de Segurança, Roberto Sá, e afirmou que a equipe dele havia perdido “o comando da área de segurança há muito tempo”.

O governo não quer acirrar mais a relação com Maia, que se indispôs com Temer em meio à votação da segunda denúncia. O receio é que o novo atrito conturbe a pauta econômica, que tem sido de interesse mútuo. A recuperação econômica é bandeira de Maia para seu projeto eleitoral. No início de setembro, Temer viabilizou que Rodrigo Maia, no exercício da Presidência, assinasse o acordo de recuperação fiscal do Tesouro Nacional com o Rio, assegurando um fôlego fiscal estimado em R$ 63 bilhões nos próximos três anos. Maia chegou a chorar na assinatura do documento.

Há desconforto no governo com trechos das declarações de Torquato, que fez revelações sobre investigações em andamento na Polícia Federal tendo como alvo o comando da segurança pública fluminense, o que pode ser classificado como vazamento. Mas Temer não quer afastar Torquato: além de uma amizade longeva com o titular da pasta, o presidente avalia que ele tem qualificação e estatura para continuar no posto. Apenas se ele se tornar insustentável politicamente, poderá ser obrigado a substitui-lo.
Há consenso que Torquato falou uma verdade que se repete há anos no Estado, em diferentes governos, sobre a estreita relação do crime organizado com a política.

O vice-líder do governo, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), com livre trânsito no Planalto, saiu em defesa de Torquato. Segundo o pemedebista, o ministro apenas “foi sincero”, já que a crise na segurança pública do Rio “é verdadeira” e enfrenta “graves problemas”.

Perondi defende que se restabeleça a harmonia do governo com o Rio, lembrando o esforço da União nos últimos meses para prestar socorro financeiro ao Estado e enviar reforços na área de segurança pública. “O [governador Luiz Fernando] Pezão está sem sapato para fazer o que quiser”, disse.

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