Terça-feira, 30 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2026
Nos últimos meses, Michelle já vinha reduzindo sua participação nas articulações políticas.
Foto: PL/DivulgaçãoA possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desistir da disputa pelo Senado no Distrito Federal e até mesmo se afastar da política ganhou força após o agravamento da crise entre ela e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O impasse expôs um racha no núcleo político da família Bolsonaro e levou a presidente do PL Mulher a afirmar, em conversa com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que pretende apenas “cuidar da família”, colocando em dúvida sua participação nas eleições de 2026.
A declaração ocorre em meio ao desgaste provocado pela divulgação de vídeos, mensagens e divergências envolvendo Flávio Bolsonaro, que passou a enfrentar dificuldades dentro da própria direita após o avanço das investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o episódio aprofundou divisões entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e comprometeu a estratégia eleitoral da legenda para o próximo ano.
Segundo relatos publicados pela imprensa, Valdemar Costa Neto tenta promover uma reaproximação entre Michelle e Flávio para evitar novos desgastes. A intenção da direção do partido era que a ex-primeira-dama participasse de eventos da pré-campanha do senador, especialmente encontros voltados ao eleitorado feminino. No entanto, interlocutores afirmam que Michelle descartou essa possibilidade, sinalizando que não pretende participar das atividades políticas enquanto a situação familiar permanecer conflituosa.
O presidente do PL já demonstrou preocupação com os efeitos eleitorais da disputa interna. Conforme divulgado pelo jornal O Globo, Valdemar classificou o conflito entre madrasta e enteado como “muito grave” e alertou que a falta de entendimento poderá prejudicar toda a estratégia eleitoral do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos últimos meses, Michelle já vinha reduzindo sua participação nas articulações políticas. Após a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e os problemas de saúde enfrentados pelo ex-presidente, ela declarou publicamente que sua prioridade passou a ser exclusivamente a família. “Minha prioridade sempre vai ser o meu marido e minhas filhas. Se eu tiver que renunciar a qualquer coisa pela minha família, eu renuncio”, afirmou durante entrevista concedida após a alta hospitalar do ex-presidente.
Apesar do afastamento temporário, Michelle continua sendo considerada um dos principais nomes do campo conservador. Pesquisas internas do PL apontam que ela mantém elevado índice de aprovação entre o eleitorado bolsonarista, especialmente entre mulheres e eleitores evangélicos. Desde o ano passado, dirigentes da legenda trabalham com sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal como uma das prioridades da estratégia para ampliar a bancada da oposição no Congresso Nacional.
A eventual desistência representaria uma mudança significativa nos planos do partido. Além da perda de uma candidatura considerada competitiva, dirigentes avaliam que o episódio reforça a percepção de divisão no grupo político liderado por Jair Bolsonaro justamente no momento em que o PL tenta reorganizar seu projeto para as eleições presidenciais de 2026. Enquanto isso, Valdemar Costa Neto segue tentando reconstruir o diálogo entre Michelle e Flávio, na expectativa de evitar novos desgastes públicos e preservar a unidade da legenda diante do início da corrida eleitoral.
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