Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de julho de 2026
A Justiça Militar tornou réus dois cabos reformados da Marinha por quatro postagens em redes sociais com críticas contra o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante Carlos Chagas Vianna Braga, e à própria Marinha.
Agora, o cabo reformado da Marinha Adriano Carvalho da Rocha (que também é advogado) vai responder pelos crimes de calúnia, difamação, injúria e ofensa às Forças Armadas por quatro postagens em uma rede social. Já o também cabo reformado Marcelo Luiz Martins é réu por calúnia e ofensa às Forças Armadas.
Em nota, o advogado e cabo reformado Adriano Rocha declarou que a denúncia “constrói uma narrativa que busca criminalizar críticas dirigidas a autoridades públicas e a atos administrativos, confundindo manifestações de opinião e de interesse público com infrações penais”. Já o cabo reformado Marcelo Martins disse que mantém as declarações de que a Marinha compra navios velhos no exterior e os apresenta como novos. Veja a íntegra das notas dos militares réus no final da reportagem.
A Marinha informou que não se manifestaria sobre o mérito das ações.
A denúncia, assinada pela procuradora de Justiça Militar Hevelize Jourdan, sustenta que as publicações em redes sociais “extrapolam a liberdade de expressão e o exercício regular da crítica institucional, visto que seu conteúdo se consubstancia em linguagem ofensiva, em emprego de termos depreciativos, em imputações de condutas criminosas e em afirmações dissociadas de comprovação fática, dirigidas de forma pessoal ao Comandante da Marinha, ao Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais e à própria Marinha do Brasil”.
Numa das postagens, em dezembro do ano passado, Adriano Rocha publicou o vídeo de uma entrevista que ele mesmo fez, num podcast, com Marcelo Martins. No vídeo, Martins diz que um navio comprado pela Marinha no exterior seria “velho”.
“A Marinha está comprando navio novo… vão buscar com grupo de recebimento agora… na Inglaterra… navio novo é uma pinoia! Mentira, é velho! , esse grupo de recebimento que vai pra lá, pra aprender coisa técnica, é mentira! Vai pra lá pra pintar ferrugem, bater ferrugem.”
No mesmo vídeo, Martins afirma: “Almirante Olsen, é mentira, é navio velho! Não engana a população não, que é feio. Gasta milhão de dólares, paga salário alto, porque lá é libra, mas tem que pagar a guarnição para ir buscar navio velho. É uma vergonha! Tem aqui ó estaleiro para fazer navio novo aqui, mas vocês não querem, vocês querem navio velho, para depois ficar desviando verba para pintar navio velho aí, reformar um montão de empresa terceirizada aí que faz essa reforma desse navio aqui tudo de máfia, tudo mentira, viu”.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Militar, os dois cabos reformados “imputaram falsamente fato criminoso (peculato – desvio de recursos públicos) ao comandante da Marinha, almirante Olsen, caluniando-o, sem qualquer base fática verificável, e, ainda, ofenderam as Forças Armadas, com indiferença deliberada quanto à veracidade dos fatos, ao acusar a Marinha de participar de uma espécie de esquema “mafioso” para enganar a população “pintando navios velhos” para que parecessem “novos” aos olhos da sociedade”.
Em outra postagem, também em dezembro do ano passado, Adriano Rocha publicou uma foto do almirante Carlos Chagas ao lado da cantora Jojô Todynho, numa cerimônia de formatura, e chamou o comandante do Corpo de Fuzileiros Navais de “anão festeiro”.
“Jojô Todynho compareceu em Formatura de Soldados Fuzileiros Navais onde seu sobrinho se formou. A influenciadora pousou para fotos com Autoridades Navais. Diversos Almirantes. E adivinhem quem fez questão de pousar [sic] ao lado da famosa? Se você disse o COMGER, acertou, ele mesmo. O Almirante Carlos Chagas, conhecido carinhosamente pela tropa como (Anão Festeiro), não espalha para ninguém, senão ele manda instaurar IPM (A Marinha vive uma ditadura macabra). Sim ele saiu ‘bem’ na foto. Já com a tropa que agoniza em todo esse tempo sob seu comando ele está queimado. A tropa só resta sonhar com dias melhores”.
Na denúncia, a procuradora Hevelize Jourdan afirma que o comandante da Marinha, Marcos Olsen, e o comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Carlos Chagas, afirmaram, em depoimento ao MPM, que as postagens “lhes causaram constrangimento e prejuízo de ordem moral no âmbito profissional, afetando a coesão da Força, bem como a sua credibilidade”.
Na decisão que recebeu a denúncia, o juiz federal da Justiça Militar Carlos Henrique Reiniger designou audiência para o dia 5 de agosto, em que serão ouvidos os ofendidos e as testemunhas de acusação e defesa. Em seguida, os réus serão interrogados. (Com informações do portal de notícias g1)
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