Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2021
O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu inquérito para apurar o caso da babá que se jogou do terceiro andar de um prédio localizado em Salvador (BA), na tarde da última quarta-feira (25).
Raiane Ribeiro, de 25 anos, que trabalhava há apenas uma semana como babá das trigêmeas, de 1 ano e 9 meses, em um apartamento de um bairro de classe média, acusa a empregadora Melina Esteves França, de 40 anos, de agressão e cárcere privado. Após receber atendimento médico, a jovem foi ouvida na 9ª Delegacia da Polícia Civil, na manhã de quinta (26).
A procuradora Manuella Gedeon, do MPT, esteve presente na delegacia durante todo o dia e ouviu os relatos tanto da babá, quanto da empregadora, que esteve na delegacia do bairro da Boca do Rio pela tarde.
De acordo com o MPT, a babá relatou que caiu ao tentar sair por uma janela do apartamento no terceiro andar para fugir de agressões verbais e físicas que teria sofrido no imóvel. A mulher investigada declarou que Raiane se jogou do basculante do banheiro, onde se trancou depois de se descontrolar e entrar em luta, e que ela mesmo teria ligado para a polícia minutos antes da queda para comunicar a situação.
O MPT informou que vai solicitar as imagens das câmeras de segurança do apartamento, já de posse da Polícia Civil, e do laudo a ser elaborado pela auditoria-fiscal do trabalho. Caberá à Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRT-BA) analisar documentos e evidências para apontar os detalhes da relação de trabalho e das condições de tratamento dispensadas à empregada.
A procuradora afirmou querer ouvir também outras testemunhas, incluindo uma funcionária que estava no imóvel no momento da queda. Também serão ouvidas pessoas que alegam terem trabalhado na mesma residência e terem sofrido maus-tratos semelhantes.
“Os fatos narrados nos depoimentos são extremamente graves, mas não vamos nos precipitar em formar um juízo antes de ouvir todos os envolvidos e colher as provas disponíveis. No curso do inquérito, essas declarações serão verificadas e os fatos serão analisados para que possamos decidir que providências na esfera trabalhista deverão ser adotadas”, frisou a procuradora.
Uma ex-funcionária de Melina, que preferiu não se identificar procurou a delegacia para denunciar agressões e maus-tratos sofridos durante 15 dias do mês de junho, em que trabalhou na casa da patroa.
“Meu trabalho era brincar mais com as meninas. Tinha uma hora que eu estava cansada e ela falou: ‘Sua obrigação aqui é você cuidar das meninas, você brincar com as meninas, você não pode parar de brincar'”, relatou.
Pelo menos seis ex-funcionárias de Melina França relatam semelhanças: comportamento agressivo, ausência de registro e recusa de pagar pelo trabalho de babás ou trabalhadoras domésticas.
“Os fatos são idênticos aos da Raiana e a semelhança do que acontecia era a mesma. Mantinha-se as empregadas em cárcere privado, privava-se do celular, de alimentação, bebida e todas não recebiam o seu salário para o seu trabalho”, disse o advogado das vítimas, Bruno Oliveira.
Apesar da queda, Raiana sofreu uma fratura no pé e recebeu alta médica ainda na quarta. Ela terá que ficar de repouso.
Os comentários estão desativados.