Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de setembro de 2026
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a “espetacularização” da sessão da Corte realizada nessa terça-feira (15), destinada à análise de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens e outros registros relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Eu peço desculpas ao povo brasileiro. Eu queria ter sido melhor em poder ter ajudado a acalmar as coisas, mas eu não consegui. Houve uma espetacularização desse caso e dessa sessão”, disse Cármen Lúcia durante a sessão.
Sessão histórica
A sessão do STF é considerada histórica e ocorre em meio à análise do relatório elaborado pela PF, que reúne mensagens e outros elementos utilizados pela corporação para apontar uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro.
Antes de avaliar se o conteúdo apresentado pela Polícia Federal justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá analisar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório produzido pela PF.
A Procuradoria sustenta que o ministro André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse um pedido prévio do Ministério Público ou da própria Polícia Federal. Segundo a argumentação apresentada, a medida também não teria sido submetida anteriormente à apreciação do plenário do Supremo.
Mesmo que o pedido de nulidade seja acolhido, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o conteúdo das mensagens. Outros integrantes da Corte, porém, entendem que, ainda nessa hipótese, os elementos que já se tornaram conhecidos poderão ser analisados para definir se existe fundamento para a abertura de uma nova investigação.
A sessão desta terça-feira ocorre em meio a um cenário de tensão no STF, marcado por trocas de ofícios entre ministros, discussões sobre o acesso às provas e questionamentos relacionados à condução das medidas determinadas por André Mendonça.
Antes do início dos trabalhos, os ministros também discutiram internamente quais documentos deveriam estar disponíveis para consulta prévia dos integrantes da Corte.
Na segunda-feira (14), a Polícia Federal informou ter entregue aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido de Daniel Vorcaro.
No mesmo dia, Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos relacionada a Vorcaro e ao Banco Master. A medida ampliou o conjunto de documentos disponíveis no caso e passou a integrar o material analisado pelos ministros. (Com informações da CNN Brasil)
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