Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2022
O governo deve lançar um programa de crédito de 100 bilhões de reais na próxima semana destinado a pequenas e médias empresas. De acordo com o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, a informação foi repassada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em almoço nesta quarta-feira (16) com empresários.
A ideia é que sejam beneficiadas de microempreendedores individuais (MEIs) a empresas de médio porte. O limite para enquadramento no programa será um faturamento de R$ 300 milhões por ano. “Gostamos muito da notícia, especialmente por ter data definida. Vai ampliar o crédito total e também tratar as questões da inadimplência”, afirmou.
Segundo Solmucci, o ministro pediu à equipe que busque uma solução para a questão da inadimplência do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que aumentou com a alta de juros.
Guedes almoçou nesta quarta com representantes da Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços).
Pronampe
Cerca de 350 mil bares e restaurantes no Brasil – metade do total em operação – tomaram crédito pelo Pronampe. Deles, 20% estão inadimplentes, perto de 70 mil. Essa fatia tende a chegar a 50% nos próximos três meses, quando mais estabelecimentos sairão do prazo de carência da última fase do programa, iniciada em 2021, prevê Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, associação que reúne os negócios do setor. É reflexo da alta dos juros, explica ele:
“Muitos bares e restaurantes do país estão em situação instável. Se tem 31% de empresas com prejuízo e outras 35% em equilíbrio, potencialmente, todas podem virar inadimplentes. Com a alta de custos para operar, estão no limite.”
No setor, diz ele, a inadimplência em empréstimos para capital de giro costuma ser de 3%: “É um problema gravíssimo. Muitos vão quebrar. Estamos buscando mais prazo junto ao governo federal.”
Criado em 2020 para socorrer pequenas empresas na pandemia, o Pronampe tem pagamento corrigido pela taxa básica de juros anual, a Selic, acrescido de outra fixa. Até março de 2021, a Selic estava em 2%. Mas chegou a 10,75% este mês. Na esteira da Selic, a taxa do programa, de 1,25%, passou a 6% em 2021.
Quem tomou R$ 10 mil em crédito com Selic a 2% e taxa a 1,25% tinha parcela de R$ 292,52. Agora, bateu R$ 390, segundo cálculos do Sebrae Rio. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.
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