Domingo, 28 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2021
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que o baixo número de inscritos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2021, o menor desde 2005, se deve ao fato de ele ter negado a gratuidade aos “que deram de ombro” para o exame no ano passado. A prova de 2020 foi realizada em janeiro de 2021. Naquele mês, 29.555 pessoas morreram de covid-19 no país, número que até aquele momento só era menor do que em junho e julho de 2020. Além disso, nenhum outro mês antes dele teve tantos casos confirmados, com 1.386.005 infectados. Quem faltou por temer se contaminar ou levar o vírus aos familiares não teve direito justificar a falta.
“Aqueles com gratuidade no ano passado que não compareceram ou não justificaram e tentaram novamente esse ano eu disse não. Quer dizer, a equipe que cuida do Enem disse não. Podia fazer a prova, mas teria que pagar a taxa de R$ 85. Em 2020, gastamos R$ 700 milhões com a prova e metade desse valor jogamos na lata do lixo”, argumentou o ministro, em entrevista à Jovem Pan.
Em 2020, ainda sob a gestão de Abraham Weintraub, o MEC (Ministério da Educação) fez uma consulta pública aos inscritos da prova sobre o melhor dia para a realização do Enem em meio à pandemia. Os candidatos escolheram maio, mas o ministério marcou para janeiro.
Com a alta dos casos no começo de 2021, entidades estudantis e movimentos ligados à educação pediram o adiamento da prova, o que foi negado pelo MEC. No fim do segundo dia do exame, o ministério anunciou que a taxa de abstenção havia sido de 55%, a maior da história do Enem e quase o dobro do ano anterior, quando 27% dos alunos não compareceram.
“Estamos colocando mais ordem. Não podemos apadrinhar as pessoas e simplesmente dizer: ‘vocês podem tudo, podem quebrar todas as regras’. Cada um responde por si. As oportunidades foram dadas. Tenho que olhar para o global”, disse Milton Ribeiro na entrevista na segunda-feira.
O Enem teve, em 2020, cerca de 5 milhões de candidatos que tiveram isenção de taxa de inscrição. Agora, em 2021, este número desceu para pouco mais que 1,7 milhão, que representa 54,83% dos inscritos.
Dez partidos e organizações da sociedade civil entram no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo isenção para os alunos que faltaram o Enem no ano passado. A expectativa do grupo é que a medida consiga incluir entre 1,5 milhão e 2 milhões de candidatos.
O ministro da Educação, que afirmou não ser que desconhece detalhes do Future-se (programa lançado pelo ex-ministro Weintraub para diversificar fontes de renda para as universidades), comparou a educação básica com o alicerce de uma casa e a superior com o teto.
“Quando vou construir uma casa, começo pelo alicerce. Não pelo telhado. Para mim, as universidades são os telhados do Brasil. Se não tiver o alicerce, não tenho porque construir telhado”, afirmou o ministro.
No entanto, Milton Ribeiro se isentou da responsabilidade sobre o ensino básico. “Não apito em nada. Só dou diretrizes e organizo as remessas de recursos”, disse. “A educação básica foi passada para municípios e estados. Sou formulador de políticas de larga escala, por exemplo através do Conselho Nacional de Educação (CNE), que nos ajuda a formular políticas públicas. Por exemplo, dei uma orientação de estudos de finanças nas escolas.”
Ele também não apontou medidas para a recuperação da aprendizagem perdida durante a pandemia. “Para ser bem honesto, não sou grande especialista nesse tipo de visão de pedagogia. Minha formação é de outra natureza. Mas creio que temos uma luta grande de um ano e meio a dois para que isso possa ser retomado”, afirmou. As informações são do jornal O Globo.
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