Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de fevereiro de 2026
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (BC) na liquidação do Banco Master. “A gestão Gabriel Galípolo não demorou a atuar no caso Master. Eu sei porque eu acompanhei de perto. Eu tomei conhecimento nas primeiras semanas da gestão do Gabriel da gravidade da situação, e o Gabriel tomou todas as providências necessárias”, disse Haddad ao portal Metrópoles.
Segundo ele, Galípolo tinha consciência “do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor (Roberto Campos Neto)” quando assumiu a presidência da autoridade monetária, em 2025. “Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária, possivelmente, da história do Brasil”, disse Haddad.
Galípolo foi indicado pelo ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucedendo Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Haddad relembrou que o “rumor” sobre problemas no Banco Master existia desde 2024, mas não havia indício de crime nem de fraude, parecia apenas “um negócio malfeito, que parecia que não ia dar certo”.
O ministro disse ter acompanhado o caso porque envolvia o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e poderia envolver prejuízo fiscal, com o risco de o prejuízo ter de ser pago com recursos públicos. “Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, todos os procedimentos foram: ‘Vamos levar às últimas consequências o que aconteceu’”, afirmou.
Haddad disse acreditar que as investigações vão levar a eventuais responsabilizações e defendeu que a liquidação do banco foi feita “com muito cuidado” e centrada na técnica. “Tem que fazer com muita seriedade, sem pirotecnia, e isso foi feito.”
Questionado se teria alertado Lula sobre os problemas do banco antes ou depois de Vorcaro encontrar o presidente no Palácio do Planalto em 2024, Haddad respondeu: “Eu não conheço essa pessoa (Vorcaro). Até outro dia, eu não saberia se ele estava no ambiente ou não, porque não tinha visto sequer foto dele”.
Corte de juros
O ministro afirmou ainda que a esperada trajetória de queda na taxa básica de juros deve levar o indicador da dívida pública para um patamar “razoável”.
Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, por decisão unânime. O colegiado indicou, contudo, que deve começar o processo de corte na próxima reunião, em março.
O ministro ponderou que a taxa de juros atual está em patamar “incompatível com a estabilidade da dívida”. Pelo último balanço, a dívida bruta do Governo Geral subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro passado. Em outubro, ela estava em 78,4%.
Pesaram, nesse aumento, os juros nominais apropriados, as emissões líquidas de dívida e a variação do PIB nominal. Haddad negou que esse crescimento tenha sido causado pelo déficit primário, ao mencionar que houve redução exponencial nesse parâmetro entre despesas e receitas na atual gestão.
“Se o aumento da dívida tivesse a ver com déficit primário, em 2020 teria explodido, quando foi gasto 25% do PIB para combater a pandemia e morreram 700 mil pessoas porque não sabiam o que fazer com o dinheiro”, declarou em críticas ao governo anterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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