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Brasil Ministro Dias Toffoli descarta aposentadoria ou pedido de licença

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Toffoli, no entanto, não é insuscetível a mudanças de temperatura, e o próprio caso Master é prova disso. (Foto: Antonio Augusto/STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não pretende antecipar a aposentadoria ou se licenciar por causa da crise do Master. Ele tem negado a possibilidade a interlocutores. Também teria expressado “alívio” desde que se declarou suspeito para participar de votações sobre o banco de Daniel Vorcaro.

Com o aumento das críticas ao Supremo, especialmente a Toffoli e a Alexandre de Moraes, por supostas ligações com investigados do caso Master, passou a ser aventada a possibilidade de uma aposentadoria antecipada com o objetivo de conter danos à Corte. O ministro trata o tema como mero “rumor” e diz que, neste momento, não tem nenhuma pretensão de deixar o STF.

Toffoli, no entanto, não é insuscetível a mudanças de temperatura, e o próprio caso Master é prova disso. Ele negava, por exemplo, que deixaria a relatoria das investigações sobre o banco, mesmo depois de revelado que a Maridt, empresa do ministro e de familiares, vendeu sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

De início, ele considerou no máximo desmembrar as apurações, para que parte dos inquéritos fosse devolvida para a primeira instância. Depois, sob pressão, deixou a relatoria das investigações e enviou o caso para redistribuição.

Uma ala do governo de Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma articulação conjunta com o Supremo para costurar a saída antecipada de Toffoli, mas a ideia não prosperou. A avaliação é que o ministro está respaldado por colegas e que a iniciativa não avançaria.

Para interlocutores, o Palácio do Planalto estaria buscando uma maneira de não se contaminar com a crise do caso Master, que atingiu Toffoli e Moraes. A avaliação também é que a relação entre o Executivo e o STF esfriou.

Um gesto concreto disso seria a decisão do ministro Gilmar Mendes de transferir para uma sessão presencial o julgamento sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente e conhecido como Lulinha. Gilmar tirou a discussão do ambiente virtual. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o movimento tem potencial para desgastar a imagem de Lula a poucos meses da eleição.

Interlocutores de Gilmar negam que a medida tenha sido um recado e defendem que há uma discussão de fundo, que não diz só respeito ao caso de Lulinha, mas a questões sobre limites de quebras de sigilo por Comissões Parlamentares de Inquérito.

Na semana passada, Toffoli se declarou suspeito para participar de julgamentos sobre o caso Master. Ele tomou a decisão após ser sorteado relator do pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para que fosse determinada a abertura de uma CPI sobre o banco de Vorcaro.

O cálculo do ministro, segundo interlocutores, foi o de que assumir a solicitação de Rollemberg o colocaria de volta no centro da crise do Master, e que os holofotes eram indesejados. Desde então, afirma que o banco não é mais problema dele.

Toffoli também considerou que a relatoria poderia fragilizar o Supremo, que passa por um momento de desconfiança devido às ligações de ministros com os principais investigados.

A interlocutores, ele afirmou que não é possível alimentar uma crise em pleno ano eleitoral, especialmente levando em conta que parte das campanhas deve antagonizar com o Supremo e endossar o discurso pró-impeachment de ministros, o que assusta boa parte do Tribunal. Também acha que o caso é passageiro e que os ministros sobreviverão. Com informações do portal Valor Econômico.

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