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Política Ministro do Meio Ambiente pede para ser ouvido em inquérito que motivou operação da Polícia Federal

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No dia da operação, Salles classificou a ação da PF como "exagerada" e "desnecessária". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os advogados do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (1º) um pedido para que ele seja ouvido no âmbito da Operação Akuanduba, que apura possíveis irregularidades na pasta e que motivou uma operação da Polícia Federal (STF) há duas semanas. Na petição, a defesa de Salles afirma que o objetivo é que “os fatos sob investigação possam ser cabalmente esclarecidos o mais rápido possível”.

O pedido foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito. Os advogados pedem para que o depoimento seja colhido pela Procuradoria-Geral da República, “juntamente com representante da Polícia Federal”. Moraes autorizou a operação da PF sem um parecer da PGR, o que motivou críticas do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Na segunda (31), o vice-procurador Humberto de Medeiros pediu ao STF a abertura de outro inquérito contra Salles, para apurar a suposta tentativa do ministro de impedir investigação sobre apreensão de madeira na Amazônia. Os dois casos não estão relacionados. O pedido da PGR foi apresentado para a ministra Cármen Lúcia.

A Operação Akuanduba foi deflagrada no dia 19 de maio por determinação de Alexandre de Moraes. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão no Ministério do Ambiente e em endereço ligados a Salles, entre outros locais. O ministro e servidores do Ibama tiveram os sigilos bancários e fiscais quebrados. Além disso, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e outros servidores do instituto e do ministério foram afastados do cargo.

A operação apura crimes contra a administração pública (corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando) praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

No dia da operação, Salles classificou a ação da PF como “exagerada” e “desnecessária”. Ele disse que Alexandre de Moraes foi induzido ao “erro” e afirmou que estava à disposição para prestar esclarecimentos.

A PF escreveu, em documento enviado ao STF, que as provas obtidas na investigação já são suficientes para configurar a prática de pelo menos dois crimes por parte de Eduardo Bim, os de facilitação ao contrabando e advocacia administrativa. A PF também aponta que há “fortes indícios” do envolvimento de Salles, mas que necessitam de aprofundamento.

O conjunto de provas da Operação Akuanduba, deflagrada na quarta-feira passada (26), inclui relatos de reuniões com madeireiros, alterações nas regras de fiscalização, mensagens de WhatsApp, depoimentos de testemunhas e movimentações financeiras atípicas, que atingem o próprio ministro.

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