Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de julho de 2026
Com julgamento marcado para o início de agosto sob acusação de assédio sexual, o ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi é alvo de outro inquérito. O magistrado está sendo investigado sobre a venda de decisões no STJ.
Em maio, o ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a investigação sob responsabilidade da corte, justificando que as apurações envolvem autoridades com prerrogativa de foro.
Além de Buzzi, o ministro do STJ Paulo Dias de Moura Ribeiro também é investigado na ação sobre venda de sentenças, conforme informou o jornal Estado de S. Paulo.
Segundo informaçoes da coluna de Bela Megale, do jornal O Globo, há referências ao nome de um familiar de Buzzi em conversas do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de comprar decisões e corromper assessores de magistrados do STJ.
Em nota, a assessoria do ministro Marco Buzzi disse que ele “não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares, ao contrário, é impedido de exercer função de juiz em casos que familiares atuem”. Disse ainda que o ministro “não tem conhecimento de andamentos do caso em tela”.
Julgamento agendado
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, agendou para o dia 6 de agosto o julgamento do ministro afastado da Corte, Marco Buzzi, que é acusado de cometer assédio e importunação sexual contra duas mulheres, incluindo uma ex-funcionária que atuou em seu gabinete.
Buzzi é alvo de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que apura duas denúncias. O caso que deflagrou a investigação do ministro foi o da jovem de 18 que o acusa de ter cometido importunação sexual durante uma viagem com os seus pais ao litoral de Santa Catarina. A segunda denúncia, de assédio sexual, partiu de uma ex-funcionária do STJ que atuou no gabinete do ministro.
Os advogados de defesa do ministro Marco Buzzi afirmam que não foram informados até o presente momento da designação de data para a sessão de julgamento do PAD.
Caso seja considerado culpado, Buzzi pode ser penalizado com a perda do cargo. Em decisão recente, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como a pena máxima a magistrados que violam suas funções. A nova regra impõe a demissão como consequência a desvios funcionais graves.
Como mostrou o Estadão em março, integrantes do STJ vinham pressionando Buzzi para antecipar sua aposentadoria como forma de estancar a crise que tem desgastado a imagem da Corte. O magistrado, no entanto, se recusou a adotar essa estratégia. Ele alegou ser inocente durante toda a fase de instrução do processo e chegou a juntar um laudo de disfunção erétil, na tentativa de convencer seus colegas de que não poderia assediar sexualmente as duas mulheres que o denunciam por ter limitações físicas.
O magistrado chegou a apelar ao STF para que a sindicância que enfrenta fosse suspensa, mas o relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, não aceitou o pedido. O ministro investigado pediu que fossem considerados ilegais os depoimentos usados como prova no STJ, alegando que eles foram produzidos sem a participação da defesa, o que violaria o direito de se defender em igualdade com a acusação.
Além do PAD, o ministro é alvo de inquérito criminal em curso no STF, também sob relatoria de Nunes Marques. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável à investigação de Buzzi. Caso seja condenado no âmbito criminal, o magistrado pode ser preso. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.
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