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Política Ministro do Supremo Dias Toffoli acumula decisões inusuais no caso Master, e postura causa incômodo entre ministros do tribunal

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Dois recuos que reforçam a ideia de que Toffoli toma decisões incomuns em tudo o que se relaciona ao Caso Master. (Foto: Carlos Moura/STF)

A controvertida decisão de Dias Toffoli de determinar que a Polícia Federal (PF) entregasse “lacrados e acautelados” ao STF todos os bens e materiais apreendidos ontem na segunda fase da Operação Compliance Zero foi entendida, de acordo autoridades que participam da apuração das fraudes do Banco Master, como parte de um movimento de desestabilização das instituições que estão investigando o escândalo.

Um movimento que incluiu a patacoada empreendida pelo TCU sobre o BC nas últimas semanas, com ameaças de suspensão da liquidação do Master, entre outras ameaças; e a esdrúxula acareação entre um diretor do BC e dois acusados, antes da tomada de depoimento dos três pela PF.

No meio da tarde de quarta-feira (14), Toffoli reviu sua decisão inicial. Determinou que o material apreendido fosse encaminhado à PGR. Repetiu o que já fizera em relação à acareação, reconsiderado a inusitada deliberação – ainda assim, não mandou o material recolhido à PF, como seria o usual.

Dois recuos que reforçam a ideia de que Toffoli toma decisões incomuns em tudo o que se relaciona ao Caso Master, mas não resiste a pressões para mantê-las.

A condução das investigações sobre o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem provocado desconforto entre integrantes da Corte e acendido alertas sobre o impacto institucional do caso.

Nos bastidores, ministros avaliam que decisões tomadas no âmbito do inquérito extrapolaram o padrão habitual de atuação do Tribunal e contribuíram para tensões com outros órgãos envolvidos na apuração, como a PF.

O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de irregularidades em operações financeiras. As investigações conduzidas pela PF apuram indícios de fraudes e eventuais crimes financeiros envolvendo a instituição e seus dirigentes.

Desde que o caso chegou ao STF, sob a relatoria de Toffoli, o andamento da apuração passou a ser acompanhado com reserva por parte de ministros, que veem com preocupação a exposição do Supremo em um processo ainda em fase preliminar de coleta de provas.

Longe do padrão

Entre os pontos que mais geraram incômodo está o embate gerado com a PF na condução das investigações. Ministros ouvidos reservadamente apontam que a definição de agendas, a interferência em cronogramas de diligências e a condução direta de atos instrutórios fogem do padrão observado em outros inquéritos semelhantes.

Há, ainda, preocupação com o impacto externo das decisões, especialmente diante do interesse do Congresso no caso e da movimentação de parlamentares que passaram a questionar a atuação de Toffoli. Para ministros do STF, o avanço desse tipo de embate político amplia o risco de desgaste da Corte e pode comprometer a percepção de imparcialidade institucional.

No caso da PF, o clima de atrito ficou evidente depois que Toffoli reduziu o prazo para os investigadores colherem depoimentos dos investigados de cinco para dois dias, com o argumento de que os interrogatórios estavam autorizados desde dezembro e que havia limitações operacionais no STF para realizá-los. (Com informações do jornal O Globo)

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A atuação heterodoxa de ministros do Supremo em torno da liquidação do Banco Master destoa do padrão institucional observado em crises bancárias anteriores
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