Segunda-feira, 20 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 31 de janeiro de 2022
Fotografias da família real são uma constante na imprensa britânica. Mas foi-se o tempo das imagens fortuitas, disputadas pelos paparazzi de plantão. Enquanto tenta proteger a privacidade de seus integrantes do portão para dentro, o Palácio de Buckingham alimenta o noticiário, quando julga necessário. Como boa “firma” que é, constrói a narrativa que deseja vender ao consumidor final. Foi assim que Catherine “Kate” Middleton, a duquesa de Cambridge, mulher do príncipe William — segundo na linha sucessória da Coroa — foi parar nas primeiras páginas dos principais jornais do país por ocasião do seu aniversário de 40 anos, em 9 de janeiro.
Três retratos escolhidos a dedo foram suficientes para apresentar aos súditos da rainha Elizabeth II, que completa, no dia 6 de fevereiro, 70 anos do mais longo reinado da história britânica, o rosto da que se espera que seja um dia a rainha consorte Catarina. Ela não é a próxima na fila — em princípio, o lugar será ocupado por Camilla Parker-Bowles, mulher do príncipe Charles, filho mas velho da monarca . Mas o palácio sabe que a plebeia criada para se tornar princesa é a terceira figura mais popular da família, depois da própria rainha e seu neto William, de acordo com as pesquisas mais recentes. Kate é também uma imagem mais moderna e despojada — porém sem muita ousadia, como é desejável nestes casos — para a monarquia do século XXI.]
Nas fotos, a mulher que habitualmente se veste como qualquer mãe de família que vai buscar os três filhos (George, Charlotte e Louis) na escola ganha contornos reais. Com o vestido vermelho, combina um par de brincos da coleção pessoal da rainha Elizabeth II. Os brincos de pérola que pertenceram a Diana também estão em evidência em uma das fotos em preto e branco, assim como o anel de noivado em safira dado a ela por William. Na outra, a duquesa de longos cabelos soltos e olhar perdido no horizonte faz referência a imagens da rainha Vitória. A indumentária, assim como o vestido de casamento usado por Kate há 11 anos, é assinada pelo célebre estilista Alexander McQueen, um ícone britânico.
Kate versus Andrew
O cálculo foi simples. Feitas em um ensaio em novembro do ano passado no Kew Gardens, o maior jardim botânico do mundo, pelo fotógrafo de moda italiano Paolo Roversi, as fotos foram divulgadas no dia do aniversário de Kate. E publicadas por dias no noticiário. Coincidentemente, era também o auge da exposição da realeza aos novos desdobramentos do escândalo de abuso sexual que envolve o príncipe Andrew, terceiro filho de Elizabeth II, que voltou às primeiras páginas de todos os jornais nos últimos dias. O temor em relação ao impacto negativo do processo que corre nos Estados Unidos sobre a imagem dos Windsor levou o palácio a anunciar que Andrew perdeu seus títulos militares e da realeza. Ele deixará de ser chamado de Sua Alteza Real e seus afazeres de cerimonial serão passados a outro integrante da família.
“Kate Middleton tem se mostrado a salvação da família real. Tem um papel definitivamente cada vez mais central e está sendo posicionada como a futura rainha, depois de Camilla, claro! Houve tanta insegurança por parte da realeza no ano passado. A morte do príncipe Philip lembrou ao público que a própria rainha não é imortal e acabou por alimentar rumores sobre a sua saúde. Há esse prolongado escândalo do príncipe Andrew, que vai de mal a pior. E não vamos nos esquecer do casal Harry e Meghan, que teve papel importante nessa insegurança ao criar a sua própria corte alternativa e fazer acusações à vida real, incluindo de racismo”, disse especialista Pauline Maclaran.
“Raio de esperança”
Professora de pesquisas sobre marketing e consumo da Royal Holloway, da Universidade de Londres, e coautora do livro “Royal Fever: the British monarchy in consumer culture” (Febre real, a monarquia britânica na cultura do consumo), Maclaran destaca que o príncipe Charles e a mulher, Camilla, não são suficientes para combater toda essa negatividade que vem dando asas à imaginação do público sobre o futuro da monarquia.
“É neste contexto que Kate surge como um raio de esperança para o futuro. Ela permanece firme e confiável em meio às turbulências, com grande popularidade. As pessoas se identificam com ela. Além disso, ela é glamourosa, como se vê pelas fotos do aniversário. Por todas essas razões, o palácio está colocando mais foco nela, uma força positiva para o futuro da monarquia”, disse Maclaran.
Kate segue à risca os roteiros da “firma”. Participa de eventos públicos, realiza e acompanha obras de caridade, sobretudo ligadas à saúde mental. É também a patrona de uma série de entidades, entre elas a National Royal Portrait Gallery, que manterá em exibição permanente as fotos que acabam de ser divulgadas, depois de uma turnê que devem fazer por museus que tenham vínculos com Kate pelo país.
“Um pouco chata”
Para a jornalista especializada em estilo de vida e celebridades Laura Hampson, Kate “é a aposta segura, a arma secreta” da família real. E isso acontece, segundo ela, justamente pelo fato de a duquesa de Cambridge não representar uma transição radical da tradição monárquica conservadora, mas “pelo que tantos criticam nela: ser um pouco, digamos, chata”. Cerca de 43% dos britânicos acham que a mulher de William será uma boa rainha, segundo pesquisa do YouGov realizada no ano passado.
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