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Brasil Morre o empresário Olacyr de Moraes, conhecido como Rei da Soja

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Moraes se tornou um dos homens mais ricos do mundo nos anos 1980 e 1990 (Foto: AG)

O empresário Olacyr de Moraes, 84 anos, morreu na madrugada desta terça-feira (16) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado havia dois dias. Conhecido como o Rei da Soja, porque se tornou o maior produtor mundial do grão no mundo, ele lutava contra um câncer de pâncreas. O corpo de Moraes será cremado no Cemitério Horto da Paz, em Itapecirica da Serra.

Nascido em Itápolis, no interior de São Paulo, Moraes se tornou um dos homens mais ricos do mundo nos anos 1980 e 1990, despontando como o mais jovem bilionário brasileiro a aparecer no ranking da Forbes. Chegou a ter 50 mil hectares de plantação de grãos, principalmente nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e um império de 40 empresas que iam do setor de construção ao agropecuário.

Atualmente, ele era dono de importantes jazidas de minérios raros na Bahia, Piauí e São Paulo.
No ano passado, Moraes voltou aos noticiários quando seu motorista, Miguel Garcia Ferreira, matou o ex-senador boliviano Andrés Fermín Heredia Guzmán, em São Paulo. Segundo a polícia, o motorista disse que estava inconformado porque o boliviano estaria iludindo seu patrão para lhe tirar dinheiro e que quis “dar um susto” para acabar com aquela suposta “extorsão”.

Moraes se mudou aos 8 anos para a capital paulista. Aos 14, começou a trabalhar ajudando seu pai a vender máquinas de costura. Aos 19, abriu, em parceria com seu irmão, uma empresa de transporte de cargas. Em 1957, os irmãos fundaram a Construção e Transportes Constran Ltda., que prestava serviços para a prefeitura de São Paulo. A empresa teve o capital aberto em 1971, quando passa a construir de pontes a usinas e os primeiros quilômetros do metrô da cidade.

Os lucros da construtora foram aplicados em outros ramos, como o bancário, com a criação do Banco Itamarati. Em 1966, Moraes criou, junto a um grupo de empresários, a Orpeca S. A., voltada para a criação de gado no Norte do Mato Grosso. Ela se aproveitava de incentivos fiscais da Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia).

Em 1973, criou a Itamarati Agro Pecuária S.A., em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Ela contava com área de 50 mil hectares onde eram cultivados milho, arroz, trigo, algodão e soja, cultura que lhe daria o apelido de Rei da Soja.

Em 1975, criou em Diamantino, a 300 quilômetros de Cuiabá, a Itamarati Norte S/A, em uma área de 110 mil hectares, onde passou a produzir milho, algodão e soja. Em 1979, fundou a Calcário Tangará, em Tangará da Serra, também no Mato Grosso, voltada para a exploração de calcário para a correção do solo. Em 1985, inaugurou a Calcário Itamarati, em Bela Vista, no Mato Grosso do Sul.

A partir de 1980, em Nova Olímpia (MT), Olacyr construiu a Usinas Itamarati S/A, voltada ao cultivo de cana-de-açúcar em 100 mil hectares. Em 1986, Moraes criou a Itamarati Armazéns Gerais, voltada para armazenagem e a conservação de grãos no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.

Também no município de Nova Olímpia, na região conhecida como Chapadão dos Parecis, que Olacyr iniciou, em parceria com a Embrapa, a criação de uma nova variedade de algodão, a ITA90, mais produtiva.

 

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