Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de março de 2018
Após mais de quatro horas de conversa, representantes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e dos movimentos que ocuparam a Reitoria chegaram a um acordo sobre os critérios de análise racial da instituição no sistema de cotas. Os estudantes se comprometeram a deixar o prédio até as 18h dessa sexta-feira. A audiência de conciliação aconteceu na sede da JF-RS (Justiça Federal de Porto Alegre).
Com a condução da juíza federal Ana Inès Algorta Latorre, que atua na 26ª Vara Federal de Porto Alegre, foi disponibilizada a palavra a ambas as partes, que puderam colocar seus pontos de vista e apresentar propostas para um entendimento mútuo.
No início da tarde, a UFRGS se comprometeu a rever pontos da portaria que alterou o regramento sobre comprovação étnica para ingresso em vagas destinadas a ações afirmativas. O principal item acordado é a garantia de que a verificação seguirá observando a característica física como principal requisito.
Em janeiro, a Reitoria havia aberto a possibilidade de que as cotas pudessem ser ocupadas por alunos com ascendência fenotípica até a segunda geração. Com o acordo, a comprovação da etnia de pais ou avós poderá ser utilizada só em caso de dúvida quanto às características do cotista.
Outro item acordado foi a ampliação da comissão que analisa os recursos interpostos contra os resultados das verificações étnicas. Os novos integrantes, dois alunos e três servidores ou professores da UFRGS, deverão ser indicados pelos movimentos negros vinculados à universidade. Em contrapartida, os estudantes que ocupam a reitoria se comprometeram a sair do prédio até às 18h de hoje.
Há uma semana, a JF-RS havia concedido liminar determinando que os estudantes desocupassem o prédio, mas a tutela foi suspensa diante de uma possível solução consensual.