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Acontece MRV mostra que erguer prédios é também construir carreiras

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Cristiano de Campos Bueno - carpinteiro MRV

Foto: Divulgação MRV
Cristiano de Campos Bueno - carpinteiro MRV. (Foto: Divulgação)

Mais que obras, oportunidades: construção civil deve gerar milhares de empregos até 2030

A construção civil é um dos pilares da economia brasileira e, ao mesmo tempo, um espelho das transformações sociais do país. Em 2024, o setor cresceu 4,3% e movimentou R$ 359,5 bilhões do PIB nacional. Mais do que números, esse desempenho reflete uma tendência global: segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, a construção está entre os setores que mais devem gerar postos de trabalho até 2030.

No Brasil, a expectativa é de mais de 200 mil novas vagas até 2030, impulsionadas por obras públicas, programas habitacionais e demanda por infraestrutura. Mas o desafio é claro: falta mão de obra qualificada.

O canteiro como celeiro de talentos

No Rio Grande do Sul, essa realidade já é visível. A MRV, maior construtora da América Latina, emprega atualmente 982 trabalhadores em 12 obras no estado. Em Porto Alegre, São Leopoldo, Viamão e Novo Hamburgo, os canteiros se tornaram espaços de formação e ascensão profissional.

Segundo Thiago Mendonça, diretor de Produção da MRV, o setor vive alta demanda, mas enfrenta concorrência com a construção informal e até com aplicativos de transporte e entrega. “Nosso canteiro é um celeiro de lideranças. Muitos começam como serventes e evoluem para pedreiros ou mestres de obras em poucos meses”, afirma.

Histórias como a de Cristiano de Campos Bueno, carpinteiro em Novo Hamburgo, ilustram esse movimento. Ele iniciou como servente e, ao longo de dez anos, cresceu dentro da empresa. “O canteiro é uma mina de oportunidades. Aprendemos com diferentes profissionais e isso nos dá bagagem para evoluir”, relata.

Educação como diferencial competitivo

O diferencial da MRV está em programas de capacitação e alfabetização. O Escola Nota 10, criado em 2011 em parceria com o Alicerce Educação, já beneficiou mais de 7 mil colaboradores em todo o Brasil. São 319 escolas implementadas em canteiros, com impacto direto em produtividade e autoestima.

No Rio Grande do Sul, mais de 120 trabalhadores já foram certificados. A meta é zerar o analfabetismo entre os colaboradores, transformando vidas e ampliando perspectivas de futuro.

Comparação internacional

Enquanto países europeus enfrentam envelhecimento da mão de obra e escassez de jovens interessados na construção, o Brasil tem potencial de expansão. A diferença está na qualificação: aqui, programas como o Escola Nota 10 buscam suprir lacunas que, em outros países, são preenchidas por sistemas técnicos consolidados.

Contexto histórico

A construção civil sempre foi motor de desenvolvimento no Brasil. Nos anos 1970, grandes obras públicas impulsionaram empregos e urbanização. Nos anos 2000, programas como o Minha Casa Minha Vida ampliaram o acesso à moradia e geraram milhares de postos de trabalho. Hoje, o setor volta a ser protagonista, mas com novos desafios: tecnologia, sustentabilidade e inclusão social.

Olhar crítico

Apesar do otimismo, o setor enfrenta riscos. A falta de profissionais qualificados pode atrasar obras e elevar custos. Além disso, a informalidade ainda absorve parte da mão de obra, reduzindo a competitividade das empresas formais.

A MRV aposta em fidelização e desenvolvimento humano como estratégia para enfrentar esses desafios. “O olhar atento das lideranças é o que garante nossa força de trabalho”, resume Mendonça.

Perspectiva

Com mais de 500 mil chaves entregues e 1,6 milhão de pessoas vivendo em imóveis construídos pela MRV, a companhia mostra que a construção civil é mais que tijolos e concreto: é motor de inclusão social e geração de oportunidades.

Se o setor mantiver o ritmo, até 2030 a construção civil não será apenas responsável por erguer prédios e casas, mas por construir carreiras e transformar vidas. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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