Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de setembro de 2018
Todos os dias, a primeira coisa que Laurana Franco faz, antes mesmo de sair da cama, é colocar um termômetro na boca. É parte do método contraceptivo que a analista de marketing adotou há um ano e meio, quando trocou a pílula por um aplicativo. O algoritmo calcula os dias do mês em que a mulher provavelmente está fértil com base nas leituras diárias da temperatura corporal e nas informações do ciclo menstrual, conhecido também como método sintotermal.
Em agosto, o Natural Cycles foi o primeiro aplicativo reconhecido como contraceptivo pelo órgão que regula os medicamentos nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), uma decisão que gerou controvérsia. Em 2017 o ministério da saúde alemão já havia emitido certi¡cado similar. O fabricante estima que 900 mil mulheres utilizem esse método no mundo todo.
O uso diário do termômetro basal que acompanha o aplicativo e que tem dois dígitos decimais permite estimar os dias férteis de uma mulher, quando o corpo feminino tem alterações leves de temperatura. Nesse período, um sinal vermelho aparece na tela indicando que o uso preservativos são necessários. Há mais regras: nos dias que a mulher está doente, a temperatura deve ser desprezada, o mesmo vale para quando tiver bebido muito na noite anterior ou quando dormiu menos que o normal. O indicado, na realidade, é evitar esses comportamentos.
Para Laurana, isso não foi problema, ela já tinha uma vida regrada e não costuma passar de uma dose de bebida quando sai. Conta que abandonou a pílula por indicação de um hepatologista, após ser diagnosticada com nódulos no fígado pelo uso contínuo dos hormônios. Desde então, sente-se com maior disposição física e mental. Conta que antes se sentia mais cansada e até mesmo mais triste.
Mas alerta que é preciso disciplina.
“Não é para todo mundo. Demanda uma rotina de sono, uma responsabilidade grande. Precisa realmente se dedicar e estudar o método sintotermal e a fertilidade.”
A analista de marketing também afirma que o aplicativo não é a melhor indicação para pessoas que não querem ter filhos “de jeito nenhum” e conta que já viu casos de mulheres que engravidaram durante seu uso.
O presidente da comissão de anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rogério Bonassi, acredita que o método mais indicado para mulheres que não querem ter filhos de forma alguma é o DIU de hormônio.
“Tudo depende da seguinte pergunta: o quanto você está disposta a aceitar uma falha? Assim como na tabelinha, o aplicativo usa o histórico de ciclos para estimar o período fértil. Por mais regular que seja o ciclo da mulher, há variações até por estresse. Não é um método reprovado ou condenável, é uma alternativa, como existem inúmeras.”
A chef de cozinha Alice Tavares confessa que, depois de cinco meses de uso perfeito, tem enfrentado dificuldades em manter seu sono sob controle por conta da profissão. “Trabalhando em cozinhas há oito meses, não tenho mais uma vida regrada. Às vezes acordo às 4h, às vezes às 10h. Então uso camisinha sempre. Tornou-se mais uma forma de conhecer meu corpo do que um contraceptivo.”
Tabelinha virtual
Método que combina calendário menstrual à medição diária da temperatura demanda disciplina e tem eficácia questionada por médicos.
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