Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de novembro de 2015
Nos últimos anos, os cirurgiões plásticos têm visto uma queda na disputa por quem tem mais peito. “Antes era uma competição: se a amiga punha a prótese de 250 mililitros, ela queria a de 300 mililitros”, brinca o cirurgião plástico Vitório Madarenna. “A maré dos peitos grandes”, que teve seu auge com as atrizes Danielle Winits e Joana Prado, agora recuou. Segundo os médicos, muitas das pacientes que os procuram para trocar as próteses (o que deve ser feito a cada dez anos), optam por peitos menores.
“Temos notado que, em pacientes mais próximas da menopausa, as mamas mais volumosas dão a impressão de que estão mais gordas. Nessa época, o controle do peso também é mais difícil, por isso elas optam por seios menores”, diz Bárbara Machado, chefe da equipe médica da Clínica Ivo Pitanguy.
“Eu estava me sentindo ‘amatronada’. Eu sou magra, faço exercícios, mas parecia estar acima do peso por conta da prótese. Agora eu pareço mais magra”, afirma Maria Helena Guinle, 55 anos, que reduziu as mamas recentemente. Da primeira vez que fez a cirurgia, ela deixou que o médico escolhesse o tamanho. “Fiquei bastante tempo com a prótese grande. Agora, está na moda peito pequeno, todo mundo está reduzindo. Você vê nos filmes estrangeiros”, compara.
“Houve uma fase de exagero e preferência por mamas volumosas e, de uns dois anos para cá, as mulheres começaram a perceber que é mais bonito uma mama proporcional ao restante do corpo, mais harmônica”, explica Juliana Sales, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Associação. Dores nas costas, por conta do peso, é outra reclamação comum entre as mulheres que se jogaram a moda do silicone do início dos anos 2000. “Vemos pacientes com uma postura errada por conta do peso das mamas”, aponta a cirurgiã plástica. Os peitões também atrapalham na hora de comparar roupa. “Antes, uma blusa de seda ficava arrochada, agora fica perfeita. Tudo cai bem!”, comemora Maria Helena.
A prática de corrida é outra inimiga. “Tenho uma paciente que colocou 250 mililitros há um ano e agora reclama que não consegue mais correr [tem dor e o rendimento diminuiu]. Agora, ela vai reduzir para 140 mililitros”, diz Juliana.
Próteses grandes hoje parecem desproporcionais.
Para o também cirurgião plástico Noel Lima, o corpo das mulheres está mais esguio, devido a dietas, ginásticas e cirurgias. “[Para esse biotipo], o seio grande demais fica fora de contexto, desproporcional”, observa. Fora a cirurgia, a redução das mamas tem um segundo aspecto negativo: as cicatrizes. “A necessidade de redução de pele depende da elasticidade e da tendência a flacidez da derme de cada um”, afirma Madarenna. Após alguns anos, a pele tende a esticar e, para acomodar a nova prótese, é preciso fazer uma redução, o que pode deixar cicatriz.
Mas, segundo o médico, mesmo quando não é possível fugir das marcas, as pacientes optam por diminuir os seios. Ele faz um alerta para quem pensa em aumentar os seios. “Veja se há casos de flacidez na família”, orienta. Afinal, quanto maior a prótese, maior a chance da mama ficar com aspecto caído cedo. Para os cirurgiões, o tamanho da prótese não significa nada, pois tudo depende da proporção e do tamanho dos seios naturais. “A mama tem um diâmetro natural que deve respeitado. Se a prótese for maior, dará o aspecto de bolo de noiva, com degraus, e não fica natural”, avalia Madarenna.
Outro risco é “engordar” a mulher. É consenso que apenas um bom cirurgião é capaz de indicar o tamanho ideal do silicone, após conversar e entender o desejo da paciente. “Hoje, até as meninas entre 18 e 22 anos pedem um volume menor. Elas entenderam que são jovens e não dá para ter um corpo de 30”, explica Bárbara. (Folhapress)
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