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Variedades “Mulheres sexualmente ativas ainda são discriminadas”, diz Vera Fischer

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"Ninguém conhece nosso corpo melhor do que nós mesmas", disse a atriz. (Foto: Reprodução/Instagram)

Já faz tempo que a ciência jogou por terra o mito de que um raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar. De qualquer forma, a televisão brasileira está aí para ratificar a questão, principalmente nos dias de hoje, com estrondosos sucessos de sua história novamente fazendo barulho.

Antes identificadas majoritariamente com a faixa do “Vale a pena ver de novo”, as reprises de novelas já haviam recebido o reforço, há uma década, do canal Viva!, na TV a cabo. Mas em 2020 a relação do público com seus antigos folhetins se tornou um fenômeno único, graças ao efeito colateral da pandemia que suspendeu a gravação dos projetos inéditos e abriu espaço para uma horda deliciosamente nostálgica de reexibições.

Só que, a reboque do revival das tramas, há também o resgate da popularidade de personagens que marcaram tais narrativas, como Ivan, jovem transexual interpretado pela atriz Carol Duarte em “A força do querer”.

De volta ao horário das nove após quatro anos de sua primeira passagem pela grade da Globo, a novela de Glória Perez vem proporcionando que o telespectador revisite a trajetória de uma personagem que projetou Carol para todo o país, logo em sua estreia na TV, aos 25 anos.

Mas muito se engana quem pensa que apenas expoentes da nova geração são impactados pelo retorno de personagens de sucesso à telinha. Considerada uma espécie de musa da quarentena em 2020, quando aproveitou o isolamento para mergulhar na produção de conteúdo para as redes sociais, Vera Fischer voltou à TV em setembro com “Laços de família”, em sua segunda passagem pelo “Vale a pena ver de novo”, desta vez com o Ibope abastecido pelo efeito pandemia, que tem mantido as pessoas mais tempo dentro de casa – a novela contabiliza média de 18,3 pontos, segundo melhor desempenho da faixa desde 2009.

Rainha das redes

Dona de 1,3 milhão de seguidores no Instagram, Vera sente que sua Helena, protagonista da trama de Manoel Carlos, hoje é tratada pelo público com mais carinho do que há 20 anos. Mesmo nos tempos atuais dos tribunais da internet.

“Ela jamais seria cancelada! Helena continua sendo um exemplo de mulher que nunca saiu da moda, nem da minha vida”, defende a atriz. “O Brasil está cheio de Helenas e é por isso que eu acho a personagem tão querida. Eu sou Helena e sempre serei. Ela vai ser influente como mulher pra sempre”, completa.

A atemporalidade da personagem, segundo Vera, está estampada, por exemplo, no preconceito que Helena enfrentou por causa de sua paixão por Edu (Reynaldo Gianecchini), um homem muito mais novo. Para a atriz, a pauta continua atualíssima.

“Mulheres independentes, sexualmente ativas e que amam sem preconceitos ainda são vergonhosamente muito discriminadas”, critica Vera, hoje com 69 anos.  “Mulheres livres assustam a sociedade desde sempre. Agora eles não fazem mais fogueiras conosco, mas o debate ainda é necessário e fundamental.”

Dialogar, aliás, tem sido um dos hobbies favoritos da atriz, especialmente com seus fãs nas redes. Seja conversando sobre “Laços de família”, lendo peças teatrais no quadro “Vera Theater”, ou encarnando a Feiticeira Escarlate numa brincadeira com a série da Disney “WandaVision”: Vera definitivamente se reinventou através do virtual.

“Sempre escrevi os textos, tirava ou escolhia as fotos e enviava tudo para a equipe que faz a gestão das minhas redes. Eu não respondia, mas lia todos os comentários pelo computador, pois até o ano passado eu não tinha celular”, comenta. “Comprei um aparelho e comecei a lidar com os fãs, responder, interagir e acho que a interação está sendo muito importante pra eles e pra mim”, finaliza.

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