Domingo, 09 de Agosto de 2020

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Cultura Museu Histórico Farroupilha se prepara para receber acervo de mil peças

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Acervo de armas que estão em processo de catalogação antes de serem entregues ao Museu Histórico Farroupilha.

Foto: Rafael Varela/Ascom Sedac
Acervo de armas que estão em processo de catalogação antes de serem entregues ao Museu Histórico Farroupilha. (Foto: Rafael Varela/Ascom Sedac)

Na primeira capital da República Rio-Grandense, Piratini, uma instituição de mais de seis décadas guarda um acervo que ajuda a entender a construção da identidade gaúcha: o Museu Histórico Farroupilha. Ele já completou 66 anos, e sua diretora, Francieli Domingues, não poderia prever que um contato mediado pelas redes sociais resultaria em uma doação de peso para ampliar o acervo, que conta atualmente com cerca de 600 peças. Um gaúcho aficionado pela saga farroupilha se colocava à disposição para doar materiais da mais alta cotação histórica: 988 peças, resultado de mais de 20 anos de colecionismo.

Desde maio de 2019, Volnir Júnior dos Santos, gaúcho de São Francisco de Paula, conhecido nas redes sociais como Tchê Voni, sinalizava o desejo de doar o acervo para o Museu Farroupilha. Foi quando Francieli passou a se comunicar com o empresário do ramo hoteleiro, que vive há 19 anos em Natal, no Rio Grande do Norte.

Ao ter conhecimento da possível doação, a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, manteve contatos telefônicos com o empresário. O colecionador esperou até 11 de setembro – mesma data em que foi proclamada, em 1836, a República Rio-Grandense – para registrar em cartório e enviar o documento ratificando sua decisão. Beatriz e Francieli viajaram em outubro para conhecer o doador e o acervo, em Natal.

Lá, foram recebidas por um gaúcho com pilcha completa, que as levou ao ambiente da residência onde enfileirava os 29 volumes que acondicionavam a coleção, totalizando 401 quilos. “Foi um momento de grande alegria e emoção, uma vez que estávamos diante de peças históricas de tamanha relevância, que mudariam para sempre o Museu Histórico Farroupilha de Piratini, bem como contribuiriam para aprofundar o conhecimento acerca da saga farrapa”, recorda Beatriz.

Após a consolidação das tratativas, a secretária se empenhou para trasladar o acervo até Porto Alegre, uma vez que, antes de ser levado para Piratini, o material deve passar por catalogação e ser adicionado ao patrimônio do Estado. Para isso, contou com a intermediação do deputado federal Ronaldo Santini, o qual viabilizou o transporte aéreo com a FAB (Força Aérea Brasileira) e terrestre com o Exército. Dois meses depois, a coleção chegou ao Rio Grande do Sul.

Francieli lembra que o valor das peças e a nobreza do gesto do colecionador comoveram a equipe. A coleção é composta por itens de valor museológico arquivístico e bibliográfico incalculável. “São centenas de livros de grande qualidade técnica, alguns raros, e artefatos como balas de canhão, armamento de época e outras raridades, entre elas moedas com a cunhagem da República Rio-Grandense e o passaporte que dava acesso à república farrapa durante o período da Revolução Farroupilha”, conta.

“Trata-se de relíquia cultural, patrimônio de todos os gaúchos. Uma doação altruísta que configura uma nova história para o Museu Farroupilha, agora assinada a próprio punho pelos farrapos. É a parte da República Rio-Grandense que retorna a sua primeira Capital.”

Corpo técnico

A fase atual é de catalogação, trabalho minucioso realizado por técnicos da Diretoria de Memória e Patrimônio da Sedac (Secretaria da Cultura). “A ideia é catalogar todas as peças. O doador nos passou uma lista com a descrição dos materiais. Desta forma, pretendemos abrir uma caixa de cada vez, identificar os itens a partir da lista encaminhada, fotografar, numerar as peças e preencher uma planilha, já elaborada pelos técnicos da secretaria”, explica o assessor especial de Memória e Patrimônio da Sedac, Eduardo Hahn. Após a catalogação, as peças serão acondicionadas, conforme as diretrizes dos conservadores, e novamente encaixotadas para o transporte até o Museu Farroupilha.

Enquanto ocorre a catalogação do acervo em Porto Alegre, são realizadas melhorias físicas na reserva técnica do museu, em Piratini, que impactarão no mobiliário e na segurança. Também está previsto novo mobiliário expositivo. O objetivo é qualificar a guarda e a exposição dos objetos – ações que serão executadas com recursos provenientes de emenda parlamentar estadual, apresentada pelo deputado Luiz Henrique Viana em 2019, no valor de R$ 100 mil. A verba será utilizada na compra de mobiliário e mostruários para acomodar o novo acervo, bem como na instalação de sistema de alarme.

O transporte do acervo para Piratini será realizado somente após a conclusão das melhorias físicas no museu. A denominação da coleção já foi escolhida e presta homenagem ao colecionador Volnir: Coleção Tchê Voni. A previsão de exibição pública das peças é setembro de 2020, ocasião que coincide com o retorno das obras pictóricas de grandes dimensões pertencentes ao museu e desde 2019 sendo restauradas pelo curso de Conservação e Restauro de Bens Culturais Móveis da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), a partir de acordo de cooperação técnico-científica firmado com a Sedac.

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