Domingo, 15 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de fevereiro de 2026
Líderes reunidos em uma conferência sobre segurança na Alemanha criticaram a política externa de Donald Trump e disseram que a Europa precisa depender menos dos Estados Unidos. O encontro reuniu chefes de governo, ministros, diplomatas e especialistas em defesa para discutir os desafios geopolíticos atuais, o enfraquecimento de alianças tradicionais e as transformações no sistema internacional.
O primeiro-ministro da Alemanha foi direto ao ponto. Logo na abertura da conferência, declarou que a ordem mundial baseada em regras e direitos já não existe mais como antes. Citou a ascensão militar da China, o aumento das tensões globais e o afastamento progressivo entre Estados Unidos e Europa como sinais de uma mudança estrutural no equilíbrio de poder internacional. Friedrich Merz cobrou dos aliados europeus uma dependência menor dos Estados Unidos, defendendo que os países do continente invistam mais em defesa, tecnologia e autonomia estratégica, especialmente no setor militar e industrial.
A conferência reúne dezenas de lideranças mundiais. O relatório oficial — que funciona como um guia das discussões — afirma que “um número crescente de líderes ganhou destaque prometendo destruir as instituições existentes em vez de reformá-las” e destaca:
“Donald Trump é apenas o representante mais proeminente desse fenômeno da política contemporânea”.
O documento também aponta riscos à estabilidade democrática, ao multilateralismo e às organizações internacionais, além de alertar para o crescimento de discursos nacionalistas e políticas unilaterais que fragilizam mecanismos de cooperação global.
O embaixador americano nas Nações Unidas defendeu uma reforma na instituição:
“A ONU precisa de uma dieta e retornar às funções básicas de manutenção da paz”, disse Mike Waltz.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, sem citar Donald Trump, criticou as tarifas comerciais e as investidas sobre territórios europeus — uma referência à Groenlândia. As ameaças de Donald Trump sobre o território, que é parte da Europa, deram mais urgência às discussões sobre o futuro da Otan, a aliança militar que reúne americanos e europeus.
Essa conferência, em 2025, foi descrita por analistas como um marco simbólico no aprofundamento da ruptura entre os dois lados do Atlântico. O governo do Reino Unido, na sexta-feira (13), disse que os americanos continuam aliados indispensáveis. Mas afirmou que, diante de um mundo instável, a Europa precisa reestruturar sua indústria bélica, fortalecer suas capacidades estratégicas e assumir, de forma mais direta, a responsabilidade por sua própria segurança e defesa coletiva.
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