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Política Na CPMI do 8 de Janeiro, o general Heleno chama deputada trans de “senhor”; Duda Salabert rebate: “É senhora”

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A deputada destacou o momento em que o ex-presidente questionou o motivo de ter sido derrotado na última eleição presidencial, em "tom conspiratório". (Foto: Pedro França/Agência Senado)

A deputada transexual Duda Salabert (PDT-MG) rebateu o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno após ter sido chamada de “senhor” na sessão que ouviu o militar na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro nessa terça-feira (26). Ao ameaçar processá-la, Heleno usou o gênero masculino para se referir à parlamentar, que o corrigiu: “É senhora”.

Salabert questionou a atuação de Heleno em uma missão de paz brasileira no Haiti, em 2004, em que ele supostamente teria coordenado uma operação que resultou na morte de dezenas de crianças. O general negou as acusações e disse, tratando-a no gênero masculino, que iria processar a deputada.

“Essa afirmativa é mentirosa. Estou querendo proteger Vossa Excelência. Se eu quiser, vou para a Justiça e processo o senhor, e coloco o senhor na cadeia”, disse Heleno. A parlamentar do PDT rebateu o ex-chefe do GSI: “É a senhora, e não vem me ameaçar não”.

Em seguida, Salabert disse que Heleno deveria ser preso após a oitiva em que participa como testemunha. “Se há justiça no Brasil, e se de fato houver justiça no Brasil, o senhor será preso no final desta CPI”, disse.

O deputado Abílio Brunini (PL-MT) a interrompeu dizendo que o presidente da CPMI, Arthur Maia (União-BA), deixava a parlamentar “falar asneiras e imputar crimes”. Maia então ordenou a saída do parlamentar e suspendeu a reunião.

No retorno da sessão, Salabert disse que Heleno pediu desculpas durante o intervalo. “Só explicitando e publicizando, o general, quando entrei na sala, pediu desculpas por ter me tratado no masculino. Só dizer que a minha posição, você (Augusto Heleno) pode me perguntar quando eu sair e eu vou dizer que não é essa questão a mais relevante, porque é de esfera pessoal. O que a gente está discutindo aqui é algo muito maior”, disse a deputada.

“Fantasia”

Em seu depoimento, o general Augusto Heleno classificou como “fantasia” a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, que relatou à Polícia Federal detalhes de uma reunião do então presidente Jair Bolsonaro com a cúpula das Forças Armadas para discutir a possibilidade de um golpe de Estado com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não existe um ajudante de ordens sentar numa reunião com comandantes das Forças. Isso é fantasia”, disse Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) na gestão Bolsonaro, durante depoimento nessa terça (26), à CPMI.

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