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Política Na nova versão de sua delação premiada, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, resiste a implicar políticos

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Vorcaro tem dito aos seus advogados que fez pagamentos a políticos por sua relação de “amizade” com eles. (Foto: Divulgação)

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro entregou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), duas semanas após a primeira tentativa ter sido rejeitada pelos investigadores. De acordo com pessoas que acompanham a negociação, o dono do Banco Master incluiu novos assuntos para tentar convencer as autoridades a assinar o acordo. A nova proposta foi entregue em uma reunião realizada na última segunda-feira, entre os advogados e os investigadores.

Vorcaro continua resistindo a endurecer a sua proposta de colaboração premiada e tem dito aos seus advogados que fez pagamentos a políticos por sua relação de “amizade” com eles, sem exigir contrapartidas. Pessoas a par das tratativas consideram que essa postura do dono do Master deve travar o avanço de sua tentativa de delação.

Entre as autoridades com vínculos financeiros com o banqueiro estão dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Uma empresa da família de Toffoli vendeu cotas num resort de luxo no interior do Paraná para um fundo ligado ao Master. Já em relação a Moraes há um contrato de prestação de serviço assinado entre o banco de Vorcaro e a advogada Viviane Barci, mulher do ministro do Supremo.

O banqueiro também mandou dinheiro para bancar o filme “Dark Horse”, que retrata a carreira política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e teve como intermediário para as negociações financeiras o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL na disputa presidencial. Vorcaro também contratou os serviços do ex-ministro Guido Mantega, que ajudou a promover uma reunião do banqueiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Ganhar tempo”

Ao ser confrontado por seus advogados sobre as lacunas de sua delação antes de o acordo ser rejeitado pela primeira vez, o banqueiro chegou a se justificar dizendo que buscava apenas “ganhar tempo” com essa negociação, já que o início das tratativas permitiu sua transferência da penitenciária federal de segurança máxima para uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília.

Essa cela especial ganhou até o apelido de “Ibis” entre pessoas próximas de Vorcaro, já que se trata de uma sala de Estado-Maior preparada anteriormente para abrigar Bolsonaro após sua condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

A primeira proposta de delação entregue pela defesa de Vorcaro à PF e à PGR foi rejeitada há duas semanas. Na ocasião, a PF encerrou as negociações, mas a PGR devolveu o documento e pediu complementos ao material.

Depois disso, o advogado José Luís de Oliveira Lima, que comandava as negociações, deixou a defesa do banqueiro. Vorcaro, então, passou a trabalhar em nova versão da delação, em conjunto com o advogado criminalista Sérgio Leonardo, que faz parte de sua defesa desde o início das investigações.

A equipe do banqueiro trabalha para incluir novos fatos em sua proposta, mas ele continua resistindo a confessar a prática de crimes e a entregar informações sobre suspeitas de atos ilegais envolvendo políticos e autoridades públicas.

Independente

Agentes da PF avaliam que a investigação já conseguiu avançar de forma independente por meio do telefone celular do banqueiro e outras provas obtidas nas diversas fases da Operação Compliance Zero, por isso apontam que uma proposta de delação só seria valiosa caso entregasse informações novas e outros caminhos de prova, o que até o momento não ocorreu.

A PF informou ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo, que vai analisar a nova proposta, mas as lacunas da primeira tentativa de delação já deixaram os investigadores desconfiados de que Vorcaro não tem interesse efetivo em colaborar e resiste até mesmo a admitir seus crimes financeiros à frente do Banco Master.

Sua defesa busca costurar o acordo com a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas a primeira proposta também havia sido considerada insuficiente pelos representantes do Ministério Público Federal.

Depois que Vorcaro entregou sua primeira delação, a PF deflagrou novas fases da Operação Compliance Zero. Prendeu o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e realizou busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) por suspeitas de pagamentos mensais de propina de R$ 300 mil por meio de uma empresa da família do parlamentar. Essas informações, por exemplo, não haviam sido incluídas na proposta de delação. Após a operação, Ciro Nogueira negou as acusações e disse que nunca recebeu pagamentos de Vorcaro. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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