Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de fevereiro de 2018
O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) ficou “assustado” quando o MPF (Ministério Público Federal) determinou a devolução aos cofres públicos de cerca de R$ 300 milhões que haviam sido desviados pela organização criminosa por ele chefiada. Foi o que afirmou na tarde dessa terça-feira o delator Carlos Miranda durante depoimento ao juiz Marcelo Bretas pela Operação Eficiência.
Antes de ser transferido para uma prisão em Curitiba, Cabral chegou a ficar preso juntamente com Carlos Miranda, que admitiu ter sido operador financeiro do esquema do ex-governador, na Cadeia Pública de Benfica. Foi neste período, em que ambos estavam detidos juntos, que o MPF determinou a devolução do montante milionário. Cerca de 80% do valor, segundo afirmou o delator e os donos da conta, seriam de Cabral.
A pedido do magistrado, o operador também comentou sobre o seu sentimento naquele momento. “É difícil definir. O que imaginei é que realmente não tinha para aonde correr. A partir do nome da investigação, Eficiência (o mesmo nome da conta de Cabral no exterior), na hora me veio o nome da conta. Percebi que a situação era a pior possível”, admitiu.
Antes, o operador também detalhou como funcionava o esquema e confirmou pagamentos de propina nas áreas da Saúde, Educação e Administração Penitenciária.
“Eu participei da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral, que tinha (os ex-secretários) Wilson Carlos e Régis Fichtner como principais assessores, e (eu) desempanhava função de gerenciar fluxo financeiro dessa organização, fruto de propina de empresas que fechavam contratos com o Estado. Depois de feito o acordo (entre a empresa) pelo Cabral e, principalmente pelo Wilson Carlos, eu entrava em contato com a empresa para pegar o dinheiro que tinha sido combinado”.
A defesa do ex-governador afirmou que os valores atribuídos a Sérgio Cabral pelos delatores, na verdade, pertenceriam a outros clientes dos doleiros. Cabral nega que tenha recebido propina.
Sistema S
Preso na última sexta-feira acusado de desviar recursos do Sistema “S” por meio de notas frias e empregar funcionários fantasmas na Fecomércio a pedido de Sérgio Cabral, o empresário Orlando Diniz negou, em depoimento à Polícia Federal, qualquer intimidade com o ex-governador, de quem negou ser amigo e até vizinho, apesar de ter um apartamento no mesmo prédio no Leblon – ele o 201 e o de Cabral, 401 – e no mesmo condomínio, em Mangaratiba, no litoral sul fluminense. Ele também negou ter contratado funcionários fantasmas, os chamados “Jabutis”, ‘esquentar’ dinheiro e de ter aumentado seu patrimônio durante a gestão do peemedebista em mais de 1000%.
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