Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de março de 2018
O ACNUDH (Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos)
classificou nesta quinta-feira (15) como “profundamente chocante” o assassinato da vereadora Marielle Franco, num ataque a tiros na noite de quarta-feira, no Rio de Janeiro. Integrante da Câmara Municipal do Rio, Marielle, de 38 anos, foi morta num ataque que também matou o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, e deixou uma assessora ferida.
Em nota, a porta-voz do Escritório da ONU (Organização das Nações Unidas), Liz Throssel, lembrou que Marielle era uma defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial, pelos direitos das mulheres e de afrodescendentes em áreas pobres do Rio de Janeiro.
O comunicado ressalta que as autoridades devem realizar uma completa investigação do assassinato. A ONU pediu ainda que o inquérito ocorra o mais rapidamente possível.
Justiça
Para o Escritório de Direitos Humanos, é preciso que a investigação seja transparente e tenha credibilidade e que os autores do crime sejam levados à justiça. O Sistema ONU no Brasil também condenou a morte de Marielle Franco e pediu rigor na investigação do caso.
A ONU no Brasil lembrou que a vereadora, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), estava em seu primeiro mandato na Câmara e era uma das principais vozes na defesa dos direitos humanos da cidade e lutava contra o racismo. Ela promovia a igualdade de gênero assim como a eliminação da violência, sobretudo nas periferias e nas favelas do Rio de Janeiro.
Velório
O corpo da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes chegaram, às 14h30min, à Câmara Municipal, no centro do Rio, onde ocorre o velório. Uma multidão, ocupando toda a frente do prédio, na Cinelândia, se emocionou à passagem do caixão.
Com cartazes e faixas homenageando Marielle, os manifestantes pediam por justiça e gritavam o nome dela e, em seguida, respondiam: “presente!”.
A passagem do caixão com o corpo da vereadora, carregado por políticos do Psol e lideranças sociais, foi intensamente aplaudida em todo o trajeto até o Salão Nobre da Câmara.
Assassinato
Marielle foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes.
Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.
A vereadora era moradora do Complexo da Maré e defensora dos direitos humanos, autora de frequentes denúncias de violações cometidas contra negros, moradores de favela, mulheres e pessoas LGBT.
Os comentários estão desativados.