Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Fabio L. Borges | 8 de junho de 2026
Muitas pessoas acreditam que a arrogância é sinal de força. Na verdade, ela costuma ser o primeiro sintoma da fraqueza
Foto: DivulgaçãoEsta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Dizem que, para conhecer alguém de verdade, basta lhe dar dinheiro e poder… Ao contrário do que muitos creem, não porque as pessoas mudem. Muitas vezes elas apenas revelam aquilo que sempre foram.
Para alcançar o sucesso, é preciso algum talento. Isso é indiscutível. Em alguns casos, o talento pode até ser substituído pela perseverança, pela disciplina ou pela capacidade de continuar caminhando quando todos os outros desistiram.
Mas existe uma verdade que poucas pessoas gostam de admitir: todos nós estamos sujeitos a voltar para o caminho do fracasso.
E quase nunca isso acontece por causa dos outros. Acontece por causa das nossas próprias iniquidades. Da nossa arrogância, da nossa soberba, da nossa vaidade, da nossa incapacidade de lembrar quem éramos antes de chegar onde chegamos.
Hoje, olhando pela janela e observando o horizonte, lembrei de uma frase que ouvi há mais de vinte anos, quando trabalhava para a Rede Globo. Foi durante uma conversa com um produtor sobre um artista que estava explodindo nacionalmente, revelado em um desses reality shows.
Era um daqueles nomes que apareciam em todos os programas, capas de revistas e eventos importantes. Mas o sucesso parecia ter lhe feito mal. Cheio de exigências. Cheio de marra. Tratando pessoas como se fossem descartáveis. Agindo como se o mundo girasse ao seu redor.
O sujeito não se achava a última bolachinha do pacote, ele achava ser o próprio pacote. Poucos anos depois, de fato, aquele artista desapareceu dos holofotes e da grande mídia nacional.
Foi então que lembrei de uma frase que nunca mais saiu da minha cabeça: “Não deixe o fracasso subir à cabeça”.
Na época eu estranhei. Afinal, o normal seria dizer para não deixar o sucesso subir à cabeça. Mas a explicação veio logo depois.
O problema não é quando o sucesso sobe à cabeça. O problema é quando o fracasso sobe antes e a pessoa nem percebe. Porque o fracasso não começa quando alguém perde dinheiro. Não começa quando perde o cargo. Não começa quando perde a fama.
O fracasso começa quando alguém esquece o que o levou até onde chegou. Quando abandona a humildade, a gratidão e o respeito pelas pessoas. A queda é apenas a consequência visível.
O fracasso já havia chegado muito antes… Infelizmente, vejo isso acontecer quase todos os dias. Às vezes, é alguém que recebe um pequeno cargo e passa a agir como se tivesse recebido um reino.
Uma pessoa que ocupa uma recepção, uma portaria ou uma função administrativa e transforma uma simples responsabilidade em demonstração de poder.
Não cria facilidades. Cria obstáculos. Não resolve problemas. Mostra seu limitado poder, que, na verdade, não passa de uma falsa sensação. Mesmo quando isso lhe custa relacionamentos, oportunidades e respeito.
“A soberba não depende do tamanho do poder, mas da pequenez de quem o exerce.”
Talvez sem perceber que, naquele exato momento, está fechando portas que um dia poderiam se abrir. Há uma ilusão perigosa no poder. A sensação de que ele nos pertence. Mas não pertence.
Todo cargo é temporário. Toda influência tem prazo de validade. O caráter, porém, esse permanece…
Muitas pessoas acreditam que a arrogância é sinal de força. Na verdade, ela costuma ser o primeiro sintoma da fraqueza. Quem realmente é forte não precisa provar que manda. Quem realmente é importante não precisa lembrar os outros disso.
Quem realmente chegou longe sabe quantas pessoas o ajudaram durante a caminhada. Talvez, por isso, aquela frase continue tão atual para mim.
Porque ninguém está imune. Nem artistas. Nem empresários. Nem políticos. Nem jornalistas. Nem o cronista que observa o horizonte enquanto pensa na próxima história.
O sucesso raramente destrói alguém. O que destrói é esquecer as virtudes que contribuíram para construí-lo.
Lembre-se sempre… Há pessoas que caem quando perdem tudo. Mas as quedas mais perigosas começam quando alguém acredita que já não pode mais cair…
* Fabio L. Borges, jornalista, cronista e poeta gaúcho
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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