Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de julho de 2016
Três novos artigos apontam caminhos para que você possa cuidar melhor do seu coração. O primeiro deles mostra como a Finlândia reduziu drasticamente a mortalidade por doenças cardíacas nas últimas décadas. O segundo, após extensa revisão de trabalhos científicos feita pela Universidade de Harvard (EUA), volta a reforçar o papel da manteiga e das gorduras saturadas como vilãs para a nossa saúde. E, para terminar, há um levantamento que revela o quanto o sono adequado ajuda a evitar a morte precoce.
Em cerca de 40 anos, a população da Finlândia mudou hábitos de vida que eram extremamente danosos para a saúde. Alguns dos alimentos favoritos, como manteiga, leite integral, salsichas e sal, perderam espaço no cardápio dos finlandeses. Além disso, o número de fumantes diminuiu muito.
Um esforço de reeducação alimentar conseguiu orientar a população para trocar gorduras animais por azeite de oliva, passar a ingerir verduras e frutas (o que nem sempre é fácil em um país gelado em boa parte do ano) e reduzir o sal no preparo das refeições. As autoridades de saúde trabalharam lado a lado com organizações sociais como a Marta (organização nacional das donas de casa) para impactar diretamente nos hábitos das famílias.
Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram queda de 65% na mortalidade por doenças cardíacas na população masculina de 30 a 64 anos de 1970 a 1995. Hoje, essa taxa é 80% menor do que em 1970. O país conseguiu ainda evitar aumento nas taxas de obesidade nos últimos anos.
Cuidados alimentares.
A pesquisa da Universidade de Harvard envolveu 126 mil adultos durante 32 anos e foi publicada pelo periódico médico Jama (Journal of the American Medical Association). O trabalho também revelou que trocar gorduras saturadas por insaturadas de origem vegetal (azeite de oliva, canola, soja) ou provenientes de peixes traz vantagens para a saúde.
O exagero no consumo de gorduras trans (como as encontradas na margarina e nos alimentos industrializados) trouxe problemas ainda mais graves. Para cada aumento de 2% na ingestão de gorduras trans, houve um aumento de 16% no risco de morrer mais cedo. E para cada aumento de 5% no consumo de gorduras saturadas, esse risco sobe 8%. Já o consumo de grande quantidade das gorduras insaturadas (principalmente poli-insaturadas) reduz essa mortalidade entre 11% e 19%.
O valor do sono.
E o sono? O terceiro trabalho mostra que tão ruim à saúde quanto uma dieta rica em gordura saturada é a falta ou o excesso de sono. Não ter sete horas de sono poderia causar uma inflamação no organismo, que aumenta o risco de diabete, depressão, aumento da pressão arterial e problemas cardíacos.
O estudo, feito pela UCLA (Universidade da Califórnia), nos Estados Unidos, revisou outros 72 artigos sobre o tema e foi publicado pela revista médica Biological Psychiatry e pelo jornal Daily Mail. Foram mais de 50 mil casos cobertos pela revisão. Os pesquisadores focaram em mediadores químicos liberados quando a pessoa enfrenta insônia ou distúrbios do sono que podem desencadear o processo inflamatório.
A conclusão é que dormir bem é tão importante para o coração quanto uma dieta adequada e a prática regular de atividade física. Sem esquecer, é claro, do cigarro, como um dos principais agentes que potencializam o risco de doenças cardíacas. (Jairo Bouer/AE)
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