Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 12 de março de 2021
Autoridades de saúde de ao menos nove países europeus (Dinamarca, Noruega, Islândia, Áustria, Letônia, Estônia, Lituânia, Luxemburgo e Itália) suspenderam temporariamente o uso de vacinas contra a covid desenvolvidas pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, depois de relatos de formação de coágulos em pessoas vacinadas.
Os países decidiram pela pausa para analisar dados da vacinação com o imunizante depois que autoridades da Áustria suspenderam um lote da vacina por conta de uma morte por embolia pulmonar — que poderia ser consequência da formação e desprendimento de um coágulo.
As autoridades sanitárias destes países ponderam, no entanto, que não há a comprovação de que a vacinação tenha aumentado a incidência de coágulos em pacientes – mas reforçam que o evento adverso pede por precaução.
Por enquanto, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomenda manter a aplicação da vacina da AstraZeneca enquanto investiga os casos de trombose. “A posição do comitê de segurança da EMA é que os benefícios da vacina continuam superando os riscos e pode continuar a ser administrada enquanto os casos de eventos tromboembólicos estão sendo investigados”, afirma a agência em nota divulgada nesta quinta-feira à tarde, na qual assinala que até o dia 10 de março foram registrados 30 desses eventos em cinco milhões de vacinados, número não superior ao que costuma ocorrer na população em geral.
A nota da EMA surgiu após o anúncio no Twitter do ministro da Saúde dinamarquês, Magnus Heunicke, de que seu país estava cancelando as vacinações com as doses da empresa anglo-sueca.
No Brasil
Enquanto isso, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, nesta sexta-feira (12), o registro definitivo à vacina da AstraZeneca/Oxford contra a covid-19, com etapa de fabricação no Brasil.
“Para a vacina foram concedidos dois registros diferentes: um em nome da AstraZeneca, outro da Fiocruz. As duas empresas podem, assim, adotar estratégias diferentes de distribuição e comercialização do produto”, informou a agência.
A vacina da AstraZeneca já tinha autorização para uso emergencial, assim como a CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. O primeiro registro definitivo foi dado para a vacina da Pfizer, em 23 de fevereiro, mas ela não tem acordo com o governo ou distribuição no Brasil.
“A vacina já vinha sendo utilizada pelo uso emergencial no Brasil, mas agora vai ser registrada aqui na agência com uma etapa de fabricação no Brasil. A gente acredita que [a aprovação] representa maior autonomia, maior acesso à vacina”, disse o gerente Geral Medicamentos e Produtos Biológicos, Gustavo Mendes.
O pedido de registro definitivo foi feito pela Fiocruz no dia 29 de janeiro. Diferente do uso emergencial, essa autorização permite que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país. Ela também poderá ser aplicada em outros grupos, não apenas nos grupos prioritários, como ocorre com o registro emergencial.
Segundo a Anvisa, “o registro definitivo é a avaliação completa com dados mais robustos dos estudos de qualidade, eficácia e segurança, bem do plano de mitigação dos riscos e da adoção das medidas de monitoramento”.
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