Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de setembro de 2018
Apoiador declarado de Marina Silva desde 2010, Fernando Meirelles faz parte da equipe de cineastas voluntários que vai fazer os ‘filmes’ para a candidata neste ano. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele lamenta não poder atingir públicos maiores nas redes sociais, como a TV consegue, e conta que seu vídeo deve dialogar mais com a classe média.
O diretor indicado ao Oscar pelo filme “Cidade de Deus” chegou de Los Angeles ao Brasil no final de semana para gravar, durante a semana, seu filme para Marina. Ele disse que a candidata está com ideias “mais afinadas” neste ano e que representa um “antídoto” contra a ameaça ao meio ambiente.
Sobre a disputa, criticou candidatos que defendem mudança no Estatuto do Desarmamento, principalmente Jair Bolsonaro (PSL). Aliás, disse que “não é contra” o presidenciável, mas “em quem vota nele”, que, na sua avaliação, simboliza um forte retrocesso. Confira abaixo principais trechos da entrevista:
1) Por que o senhor resolveu apoiar a Marina de novo neste ano e qual seu papel na campanha?
Se sairmos da batalha sangrenta do dia a dia, é muito fácil ver que o futuro do nosso planeta está mais do que ameaçado, já está comprometido. Enquanto os outros candidatos falam em fortalecer a exploração de petróleo ou explorar minério na Amazônia, a Marina é um antídoto contra essa ameaça. Também gosto da ideia de governança em rede, um governo que ouça a sociedade e inclua academia, ONGs, empresários e conecte todas essas pessoas. Governo centralizado é coisa do século 20. Já foi.
2) Qual a diferença da Marina neste ano para os anos anteriores?
As ideias vão sendo afinadas. As ideias para formação de professores usando a internet, ou para o uso de blockchain para garantir transparência e governança não estavam previstas quatro anos atrás. As propostas para mudança climática e florestas estão mais avançadas: desmatamento zero até 2030 e emissão líquida zero até 2050, algo com que nenhuma grande economia se comprometeu ainda. Mas as bases, os princípios e postura ética são os mesmos.
3) Quem é a Marina que o senhor pretende apresentar nos ‘filmes’?
Gosto do lado estadista da Marina, que pensa um projeto de país a longo prazo. Sustentabilidade tem total relação com construir o futuro. A ideia de energia limpa, de educar crianças desde a formação neural, ou a agricultura agroecológica, têm relação com isso. Já quem propõe armar a população, que futuro está imaginando?
4) O senhor está falando de Bolsonaro?
Ele é um, mas o (João) Amoêdo (candidato do Novo) também é a favor de afrouxar o controle da venda de armas e a vice do Ciro (Gomes, do PDT) também acha que no campo todo mundo deveria manter uma garrucha embaixo do travesseiro. Me apavora pensar que pode haver uma arma dentro da bolsa da Dona Eliana, uma senhora histérica que conheço. Ela dá piti em supermercado, briga com garçom, fica furiosa no trânsito. Se sem arma ela já é uma ameaça a sociedade, imagina a Dona Eliana armada. Vai dar ruim com certeza.
5) Por que vai dar ruim? Como vê a candidatura dele?
Eu não sou contra o Bolsonaro, eu sou contra quem vota nele. O cara tem direito de ser maluco. Juro que tenho tentado escutá-lo para entender o que atrai tanto seus eleitores, mas 90% do que ouço é a repetição exaustiva das mesmas coisas: “Vou armar a população, vou prender, vou matar, vou castrar, vou desapropriar índio, desapropriar quilombola, vou derrubar floresta para explorar minério.
Não ouvi muito mais que isso. Como discordo de todas estas “ideias”, vejo-o como um retrocesso forte para o País. Fiz uma piada sobre seus eleitores, mas compreendo a vontade desesperada de colocar ordem nesta bagunça. Nisso estão certos, mas já tentaram colocar ordem no Brasil na marra e não funcionou.
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