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Mundo A Nasa apontou um “vilão” contra a possibilidade de habitar outros planetas: os fungos são o impedimento

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Nasa prevê comunidade humana em Marte a partir da década de 2030. (Foto: Nasa)

Os cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa) estão estudando uma forma de impedir que alguns tipos de fungos se proliferem em futuras habitações humanas criadas em outros planetas, como comunidades na Lua ou em Marte. Um estudo que aponta este novo “vilão” como impedimento para a exploração espacial foi publicado nesta segunda-feira (10) no periódico científico “Microbiome”. A Nasa prevê uma comunidade humana em Marte a partir da década de 2030.

De acordo com Kasthuri Venkateswaran, cientista do laboratório de propulsão a jato da Nasa, o estudo “é o primeiro relatório sobre o microbioma de um habitat simulado para uma futura habitação humana em outros planetas.” Ele diz que a pesquisa mostrou que “a diversidade dos fungos em geral muda quando os humanos estão presentes.”

Os pesquisadores descobriram que determinados tipos de fungos — incluindo alguns que causam alergias, asma e infecções na pele — aumentam enquanto os seres humanos estão em ambientes simulados para o espaço. Estadias prolongadas em ambientes fechados podem ser estressantes para os astronautas e, por isso, levam a uma diminuição da resposta imunológica dos seres humanos, aumentando a vulnerabilidade aos fungos. “Os fungos podem sobreviver a condições difíceis, como desertos, cavernas ou regiões de acidentes nucleares e são conhecidos por serem difíceis de erradicar em outros ambientes”, explicou Venkateswaran.

O estudo

Três tripulações de estudantes foram alojadas no ILMAH (Habitat Análogo Inflável da Lua e de Marte) por 30 dias. Para determinar quais espécies de fungos estavam presentes e como a composição do bioma mudou, foram coletadas amostras em vários pontos do ambiente durante o período. O local estava totalmente isolado do mundo externo, com a exceção da troca de ar filtrado.

Com isso, os pesquisadores puderam comprovar que as populações de cladosporium cladosporioides — um fungo comum ao ar livre — aumentaram. Os C. cladosporioides, que raramente causam infecções em seres humanos, desta vez poderiam causar reações asmáticas especialmente em indivíduos com sistemas imunológicos enfraquecidos, como os astronautas.

Habitação em Marte

De acordo com pesquisadores da Divisão de Ciência Planetária da Nasa (PSD, sua sigla em inglês), é possível gerar um campo semelhante ao redor do Planeta Vermelho. A proposta foi apresentada recentemente em uma oficina do workshop Visões para a Ciência Planetária 2050, realizado pela agência.

De olho no passado

Hoje, Marte é um planeta dominado pelos extremos. A falta de atmosfera faz, por exemplo, com que a temperatura atinja 20°C durante o dia e -80°C durante a noite. Mas o Planeta Vermelho era muito diferente no passado: dados das missões Maven, da Nasa, e Mars Express, da ESA (a agência espacial europeia) sugerem que ele tinha um campo magnético natural.

Essa proteção sumiu há cerca de 4,2 bilhões de anos e, como resultado, a atmosfera marciana desapareceu gradualmente ao longo dos 500 anos seguintes.

O que os pesquisadores propõem, então, é recuperá-la usando tecnologia de ponta para restaurar o planeta Marte do passado, com sua atmosfera, temperaturas mais altas e parte de seus antigos oceanos.

Campo magnético

“No futuro, é bem possível que ela (a tecnologia) possa gerar um campo magnético de 1 a 2 Teslas contra o vento solar”, disse Jim Green, da divisão de ciência planetária da Nasa. Green e seus colegas propõem a instalação de um dipolo magnético, na forma de um satélite, para que ele acompanhe o planeta em sua órbita, protegendo-o.

Um dipolo é um elemento específico que produz um campo magnético dipolar (dois polos magnéticos opostos). O cientista assegura que já foram criadas magnetosferas artificiais em miniatura para proteger tripulantes de naves espaciais.

De acordo com simulações feitas por pesquisadores da Nasa, um campo magnético implantado no chamado ponto de Lagrange L1 seria suficiente para ampliar a espessura da atmosfera e o aumento da temperatura em 4°C.

Pontos de Lagrange ou pontos L são as posições em um sistema orbital em que um objeto pode estar em relação a objetos maiores.

Colônia humana

A magnetosfera artificial poderia desviar o vento solar, a exemplo do que acontece com um campo magnético natural. O aumento da temperatura, por sua vez, poderia derreter o dióxido de carbono no polo norte do planeta. E isso criaria um efeito estufa que aumentaria ainda mais a temperatura até alcançar condições compatíveis com a presença de água no estado líquido.

“Uma atmosfera marciana com maior temperatura e pressão permitiria que houvesse água em estado líquido suficiente na superfície para melhorar a exploração humana na década de 2040”, diz Green. A blindagem magnética também facilitaria a chegada de missões ao Planeta Vermelho.

A Nasa revelou em 2015 o seu plano de viagem a Marte, que prevê a existência de uma colônia humana em 2030. Para Green, se fosse criado um campo magnético artificial, “as novas condições em Marte permitiriam que os pesquisadores e exploradores estudassem o planeta com muito mais detalhes”.

“E se isso for alcançado… a colonização de Marte não estará muito longe.” (AG)

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