Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de julho de 2017
O médico da CRI (Clínica Radiológica de Ilhéus) Edson Moreno, que fez a última ultrassom na dona de casa Cleidiane Silva dos Santos, confirmou a versão dela que o exame, realizado 21 dias antes do parto, confirmou que ela estava grávida de gêmeos. Ela deu à luz na Maternidade Santa Helena, anexo ao Hospital São José, na cidade no Sul da Bahia, no dia 24 de junho, e reclama do suposto sumiço de um dos bebês.
Edson Moreno fez o exame em Cleidiane quando ela estava com 37 semanas de gravidez. “Nós realizamos essa ultrassonografia e constatamos realmente que tinham dois fetos no abdômen da paciente”, afirma.
O médico avalia que o “sumiço” do segundo bebê poderia ser explicado como um caso de “síndrome da transfusão feto-fetal”. “A literatura médica relata os casos de gravidez múltipla a transfusão feto-fetal. Ou seja, um feto retira o nutriente do outro para suprir e, quando isso acontece, um feto é absorvido. Eu acredito que no caso dessa paciente tenha acontecido isso, a transfusão feto-fetal”, explica.
No entanto, ele pondera que a absorção do segundo feto, com 37 semanas de gravidez, pode não ter sido completa. “Absorvido, 100% não. Como a cesariana é um ato cirúrgico que tem sangue, pode ser que o fetinho absorvido esteja envolvido com compressas e sangue. Nesse momento, como o obstetra dá mais atenção ao feto que vai nascer, aquilo seria coisa secundária. Agora com 37 semanas, eu nunca vi e não sei se tem relato na literatura”, avalia Edson Moreno.
Caso
O diretor do hospital onde supostamente desapareceu um dos gêmeos que a dona de casa estava esperando, afirmou que o médico responsável pela cesárea, Fábio Pinheiro, estava preparado para fazer o parto de duas crianças e ficou “surpreso” quando fez o corte e encontrou apenas um bebê.
O diretor Carlos Lira ainda disse que a mãe foi avisada que, apesar de estar na expectativa de ter dois filhos, apenas um bebê tinha sido gerado.
“Constou no diagnóstico pré-cesariano de gestação gemelar, qual a surpresa quando ele [o médico] abre e só tinha um feto. Esse fato foi presenciado pelo neonatologista que assistiu a criança no momento do parto, confirmando que só tinha uma criança. Segundo a pediatra, porque já investigamos isso, foi informado à própria paciente”, destacou o diretor.
Cleidiane também afirma que, antes do parto, ainda chegou a ser informada no hospital que os dois bebês estavam bem. “Na hora que eu dei entrada no hospital, a mulher foi, deu o toque e escutou o coração dos dois lados. Escutou dos dois e falou que os dois estavam bem. Aí, ela mandou eu tomar banho e ir para a sala de parto. E na hora que eu tava no parto, só chegaram com um no outro dia ainda, porque o menino ficou no berçário. Aí no outro dia apareceram com um, e eu falei: cadê o outro? Eu vim para a maternidade para ganhar dois e eu estou aqui com a ultrassom, e eu escutei o coração dos dois lá embaixo, e ela [a enfermeira] falou que os dois estava (sic) bem. E como é que vocês aparecem aqui com uma criança só?”, contou.
A delegada que investiga o caso, Andrea Oliveira, afirmou que a polícia ainda tenta esclarecer o que aconteceu. “Temos duas alternativas: ou a ultrassonografia está errada, o laudo foi feito de forma errada, ou então realmente havia duas crianças e uma delas está desaparecida. Aí a gente tem que solucionar o caso e ver onde está essa criança”, disse a delegada Andrea.
O caso foi registrado na última quinta feira (6), na delegacia de Ilhéus. A polícia pediu à maternidade que encaminhasse o prontuário médico de Cleidiane e forneça o nome do médico que fez o parto dela, quanto de toda a equipe médica que acompanhou o parto, para que essas pessoas, posteriormente, sejam ouvidas em audiência. “Até porque, nós precisamos, realmente, definir se houve o nascimento de uma ou duas crianças”, disse a delegada. (AG)
Os comentários estão desativados.