Quinta-feira, 01 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de dezembro de 2017
De acordo com um novo estudo publicado no periódico científico Icarus, o nosso Sistema Solar pode ter locais potencialmente habitáveis que, até então, jamais foram considerados para tal. É o caso do planeta-anão Plutão, que pode esconder um oceano em estado líquido abaixo de sua superfície, assim como se desconfia que aconteça em Encélado, lua de Saturno.
Segundo o autor do estudo, Prabal Saxena, da NASA (a agência espacial norte-americana), “esses objetos precisam ser considerados como potenciais reservas de água e de vida”. Ele acredita ainda que “se nosso estudo estiver correto, nós podemos ter mais locais em nosso Sistema Solar que possuem alguns elementos críticos para a existência de vida extraterrestre”.
Outros objetos celestes que podem conter oceanos subterrâneos, além de Encélado, são as luas Titã, Europa, Calisto e Ganimedes, além do planeta-anão Eris, que fica nos confins do Sistema Solar. Os supostos oceanos estariam no estado líquido até os dias de hoje por conta de um fenômeno chamado “aquecimento de maré”, causado pela força gravitacional dos gigantes gasosos.
A equipe de Saxena descobriu que “o aquecimento de maré pode indicar a perseverança de oceanos de água líquida abaixo da superfície de objetos transnetunianos como Plutão e Eris até os dias de hoje”, mas há outro fator que também pode indicar a existência de tais oceanos: a ação de elementos radioativos.
Sendo assim, novas pesquisas serão conduzidas daqui para frente e, quem sabe, missões espaciais sejam lançadas para estudar de pertinho esses planetas-anões e satélites naturais de Saturno e Júpiter, a fim de descobrir se eles abrigam, de fato, oceanos de água líquida em seu interior, de repente encontrando algum tipo de vida por lá, ainda que microbiana.
Astrônomos brasileiros
Trabalhando em conjunto com uma equipe internacional, um grupo de astrônomos brasileiros descobriu a existência de um anel, similar aos do gigante Saturno, em um planeta anão vizinho de Plutão. A descoberta foi publicada na revista científica Nature. O anel circunda Haumea, um dos planetas-anões próximos a Plutão, localizado no que os astrônomos chamam de Cinturão de Kuiper.
Situado após a órbita de Netuno, o cinturão é composto por objetos de gelo e rochas entre os quais se destacam quatro planetas anões: Plutão, Eris, Makemake e Haumea. Esses objetos são difíceis de estudar porque são pequenos, brilham pouco e, devido às enormes distâncias, são difíceis de detectar mesmo com telescópios potentes.
A descoberta resultou de um trabalho conjunto liderado pelo astrônomo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrofísica de Andaluzia, e contou com a participação de astrônomos e alunos brasileiros do Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações, do Observatório do Valongo, ligado a Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Tecnológica Federal do Parana, filiados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia.
O método de observação usado pelos astrônomos consiste em estudar as ocultações estelares, que é quando esses objetos passam à frente de uma estrela, como um pequeno eclipse. Com o método foi possível determinar as principais características de Haumea, como tamanho, forma e densidade, além do anel.