Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2015
O naufrágio de um barco no mar Mediterrâneo, na costa da Líbia, na madrugada de ontem, causou o que pode vir a se confirmar como a mais mortal tragédia conhecida no transporte de imigrantes. As contagens do número de pessoas a bordo variam. Promotores italianos disseram que um sobrevivente de Bangladesh enviado à Sicília para tratamento contou que haviam 950 pessoas a bordo. Outro sobrevivente teria afirmado que eram 700 pessoas. Há suspeitas que muitos imigrantes estivessem presos no porão.
A embarcação seguia da Líbia para a Itália e teria virado no momento em que passageiros correram para um dos lados, depois de avistarem um navio mercantil. Dezoito embarcações ajudam no resgate, mas até o fechamento desta edição 28 sobreviventes e 24 corpos haviam sido retirados da água. A polícia afirmou que o mar é profundo demais para atuação de mergulhadores, o que pode indicar que o total de vítimas jamais será conhecido.
A rota entre a Líbia e a ilha de Lampedusa, no mar Mediterrâneo, é um caminho comum para imigrantes da África e Oriente Médio, mas nos últimos anos tornou-se uma das mais mortais. Mais de 200 mil pessoas já realizaram a travessia para chegar à Europa e mais de três mil morreram somente no ano passado.
O Alto Comissário da ONU (Organização das Nações Unidas) para Refugiados, António Guterres, disse que o naufrágio “confirma quão urgente é restaurar uma operação robusta para resgate no mar”. Caso isso não ocorra, as pessoas em busca de segurança “continuarão morrendo no mar”, afirmou.
O premiê da Itália, Matteo Renzi, descartou qualquer bloqueio naval ao largo da costa da Líbia, dizendo que isso iria “acabar ajudando os contrabandistas”, uma vez que navios militares estariam lá para resgatar imigrantes. Renzi também afirmou que os imigrantes não podem ser forçados a voltar para a Líbia por causa da violência no país.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, quer convocar uma reunião entre os chefes de Estado e de governo da UE (União Europeia). Ele informou que continuará conversando com líderes, com a Comissão Europeia e com outros organismos para “atenuar” situações como essa”.
O papa Francisco voltou a pedir que a Europa faça mais para ajudar a Itália a gerenciar o fluxo de imigração para o continente. Aos fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, ele falou dos desaparecidos no Mediterrâneo. “Há temores de que poderiam ser centenas de mortos.” Ele abaixou a cabeça em oração, seguido por muitas das milhares de pessoas que estavam na praça.
No sábado, o pontífice havia se juntado ao governo da Itália para pressionar a UE a ajudar mais o país com o enorme número de pessoas que chegam à costa em barcos de contrabandistas para fugir das guerras, perseguição e pobreza na Síria, Líbia e países da África. “Eu expresso minha gratidão pelo esforço que a Itália está fazendo para receber os muitos imigrantes, que, arriscando suas vidas, pedem para serem resgatados”, disse o papa ao presidente da Itália, Sergio Mattarella. “É evidente que as proporções desse fenômeno requerem um envolvimento muito maior”, comentou o papa Francisco. (AE e Abr)
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