Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2023
A cientista e pesquisadora Nísia Trindade Lima assumiu, nesta segunda-feira (2), o comando do Ministério da Saúde. Nomeada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ela é a primeira mulher a chefiar a Pasta. A ministra também foi a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição histórica de ciência e tecnologia e referência internacional, entre 2017 e 2022.
Nossa gestão à frente do Ministério da Saúde será pautada pelo diálogo com a ciência”, declarou emocionada a nova ministra Nísia Trindade, em seu primeiro discurso à frente da Pasta. Ela garantiu que o trabalho coletivo com Estados, municípios e sociedade será fundamental para alcançar os resultados almejados. “Nossa gestão será pautada pelo imprescindível trabalho colaborativo”, resumiu.
Um dos primeiros grupos de trabalho da nova equipe do Ministério da Saúde será de avaliação das notas técnicas e portarias publicadas na gestão do último governo. A informação foi dada por Nísia Trindade durante cerimônia de investidura ao cargo.
A titular da pasta garantiu que o Ministério resgatará a liderança, junto aos demais entes, sobre as decisões políticas nacionais tomadas sem o devido “debate, acúmulo e maturidade das decisões”.
“Serão revogadas, nos próximos dias, as portarias e notas técnicas que ofendem a ciência, os direitos humanos, os direitos sexuais e reprodutivos, e que transformaram várias posições do Ministério da Saúde em uma agenda conservadora e negacionista da ciência”, destacou.
A ministra adiantou que a portaria instituindo o grupo de trabalho que atuará na avaliação das portarias a serem revistas, mantidas ou revogadas será publicada em breve. “Será a primeira reunião da nossa Comissão Intergestora Tripartite deste ano, quando iremos decidir pelas revogações. Reforço que isso será feito sempre com o espírito da construção”, garantiu.
Nísia Trindade também anunciou na manhã desta segunda-feira os nomes dos secretários que vão compor o primeiro escalão do Ministério da Saúde. O anúncio foi feito durante cerimônia de investidura no cargo de Ministra de Estado realizada no auditório da pasta, Emílio Ribas.
“A nossa equipe indica visão de compromisso. Os secretários possuem necessária qualificação para que se alcance os resultados que a sociedade espera. Atuaremos com ações estruturantes para a construção da saúde do Brasil do Futuro”, contou.
Ao anunciar os nomes, Nísia disse que, quando o assunto é saúde, o país e a sociedade têm pressa. E, para atender aos anseios da população, prometeu fazer uma gestão baseada no trabalho colaborativo, coordenando e articulando com outros ministérios ações estruturantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Serão tempos difíceis de reconstrução, mas também da necessária inovação. É preciso reconstruir e é preciso olhar os desafios do presente e a visão de um Brasil de Futuro. Esse trabalho só será possível com grande esforço nacional, envolvendo estado e sociedade civil”, finalizou a ministra.
Nísia é doutora em Sociologia (1997), mestre em Ciência Política (1989), pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj – atual Iesp) e graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj, 1980), onde é docente.
A nova titular do Ministério da Saúde é pesquisadora de produtividade de nível superior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com reconhecimento por sua produção científica e ações para aprimorar o diálogo entre ciência e sociedade. Sua obra é referência na área do pensamento social brasileiro, história das ciências e saúde pública. É autora de artigos, livros e capítulos com reflexões sobre os dilemas da sociedade nacional, como sua tese de doutorado em Sociologia, com o título Um Sertão Chamado Brasil, que conquistou o prêmio de melhor tese pelo Iuperj (atual Iesp).
Em sua trajetória na Fiocruz, onde é pesquisadora desde 1987, Nísia foi diretora da Casa de Oswaldo Cruz (1998 – 2005), unidade voltada para pesquisa e memória em ciências sociais, história e saúde. A ministra também participou da elaboração do Museu da Vida, museu referência em ciência da Fiocruz. Foi vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação (2011-2016), período em que coordenou as Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia e também a implantação de políticas de acesso aberto, com o objetivo de tornar disponível toda a produção científica da instituição.
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