Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de setembro de 2026
Júri popular realizado nessa quinta-feira (10) no município de Rosário do Sul (Sudoeste gaúcho) resultou na condenação de um homem a dez anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por tentativa de homicídio. No dia 27 de setembro de 2024 ele feriu com três tiros um desafeto, que sobreviveu mas passou a enfrentar sequelas como a perda da visão em um dos olhos.
Prevaleceu a tese formulada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e que apontou como agravantes o motivo fútil e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Também pesou na sentença a gravidade das consequências para o indivíduo atingido pelos disparos – na época, ele precisou de cirurgia de emergência e permaneceu internado durante mais de suas semanas em uma unidade de terapia intensiva (UTI).
“Como o réu já estava preso preventivamente durante a tramitação do processo, foi mantida a reclusão, com execução imediata da pena e sem direito a recurso em liberdade”, menciona o site mprs.mp.br. A acusação em plenário foi sustentada pelo promotor Anderson Marcelo de Araujo.
Feminicídio de enteada
A Justiça gaúcha aceitou denúncia do MPRS contra um homem preso preventivamente desde o dia 18 de agosto e indicado pela Polícia Civil como autor confesso dos golpes de martelo e facadas que mataram sua ex-enteada, de 14. O caso remonta ao dia 17 de agosto, durante suposta discussão entre a adolescente e o ex-padrasto na casa dele em Encantado (Vale do Taquari).
A vítima foi encontrada sem vida, no local, por um irmão com quem o agressor reside. Tratado como feminicídio, o caso chocou a comunidade e chamou a atenção dos investigadores, por não se encaixar – pelo que se sabe até agora – em hipóteses como vicaricídio (quando o objetivo do homicídio é atingir psicologicamente uma terceira pessoa) ou estupro (não havia sinais de violência sexual).
Testemunhas relataram que a vítima tinha apenas 1 ano de idade quando o pai faleceu. Posteriormente, o padrasto acabou se tornando para ela a figura de referência paterna, a ponto de manterem contato após o fim do relacionamento do casal. Essa relação – facilitada pela proximidade de residências, no mesmo bairro – incluía visitas frequentes da garota ao ex-marido da mãe.
Ao todo, os três viveram 13 anos sob o mesmo teto, aparentemente sem histórico de incidentes durante ou depois da separação. No entanto, há também narrativas de que ele exercia sobre a adolescente uma posição de controle com eventuais episódios de ridigez ou mesmo de violência psicológica. Em depoimento logo após ser preso, o homem alegou como motivo do crime uma “discussão que saiu do controle”
(Marcello Campos)
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