Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de janeiro de 2020
As máscaras cirúrgicas do Japão se tornaram um presente popular e um termômetro da preocupação com o novo tipo de coronavírus que já matou 26 pessoas e infectou mais de 800 pacientes na China. Não há vacina para o novo tipo de vírus que provoca pneumonia e sintomas como febre, tosse e dificuldade em respirar. As informações são da BBC News.
Com o crescente número de casos, muitos chineses e japoneses resolveram acatar as recomendações de autoridades médicas, adotando máscaras para cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, além de gargarejo e desinfecção das mãos. A adesão às medidas preventivas obrigou a maior fabricante de máscaras cirúrgicas do Japão, a Unicharm, a trabalhar 24 horas por dia para atender a demanda. Um dia após a confirmação do primeiro caso de infecção no Japão, a empresa recebeu dez vezes mais pedidos do que o normal nas farmácias.
O medo de ocorrer surto do coronavírus no Japão levou o dono de uma confeitaria em Hakone (província de Kanagawa) a usar um aplicativo de tradução e afixar um cartaz manuscrito a tinta vermelha e em chinês com o aviso, em chinês: “Proibida a entrada de chineses. Não quero que espalhem o vírus”.
O proprietário recebeu muitas críticas da comunidade chinesa após a exposição do caso em redes sociais. Ao jornal Asahi, ele afirmou que pretendia reescrever o cartaz para deixar claro que queria se proteger do vírus, mas evitando ofensas a chineses. No entanto, o episódio foi visto como xenófobo por críticos.
Desde maio de 2016, existe uma lei que visa acabar com o discurso do ódio, manifestações xenófobas e publicações na internet que estimulam a aversão contra estrangeiros. Porém, o texto em vigor não prevê punição, apenas solicita às autoridades e à sociedade que combatam esse tipo de comportamento.
Em consequência, o proprietário da confeitaria de Hakone não será punido. Ele poderá, no máximo, receber recomendações das autoridades para não fazer mais isso. E mais críticas pelas redes sociais.
Epicentro
O surto do coronavírus tem seu epicentro em Wuhan, uma megalópole de 11 milhões de habitantes localizada na província de Hubei, centro da China. Os primeiros casos apareceram em meados de dezembro. Em três semanas, o coronavírus chegou à Tailândia, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Cingapura e Estados Unidos, Macau e Hong Kong.
No Japão, o primeiro paciente confirmado positivo é um homem na faixa dos 30 anos que tinha viajado a Wuhan no final do ano.
O governo japonês tem pedido às pessoas para evitar viagens desnecessárias à cidade chinesa, ao mesmo tempo que coleta informações sobre a doença para repassar aos japoneses que moram na China.
Quarentena e turismo
Wuhan e as vizinhas Huanggang e Ezhou estão isoladas, em uma espécie de quarentena e com o serviço de transporte público suspenso. Autoridades pediram à população que não deixem a cidade, a não ser em circunstâncias especiais.
A chegada do Ano Novo Lunar chinês aumentou a preocupação no Japão, pois visitar parentes no aguardado feriado que vai de 25 a 30 de janeiro costuma ser um forte argumento para sair de casa.
O Japão é um dos principais destinos dos chineses neste período do ano, segundo o Instituto de Pesquisa de Turismo da China (COTRI). Em média, mais de 1 milhão deles costumam viajar para cidades como Kyoto e Tóquio, a passeio e compras, durante o feriado de Ano Novo.
O impacto desses turistas na economia local é significativo. Dados do governo japonês revelam que no ano de 2018, o Japão recebeu cerca de 8,4 milhões de visitantes chineses que consumiram o equivalente a US$ 13 bilhões.
Se fazer compras em farmácias já era comum, com o surto de coronavírus agora será roteiro obrigatório para adquirir termômetros e muitas máscaras cirúrgicas japonesas.
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