Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de dezembro de 2018
Diante da crise migratória que envolve a entrada de venezuelanos no Brasil, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que o País precisa acolher os imigrantes, mas que deve também pressionar o governo vizinho para que mude sua política de atendimento à população.
Após visitar o Santuário da Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP), Bolsonaro falou que seu governo não vai deixar o Estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, “abandonado à própria sorte”.
“No que depender de mim, vamos acolhê-los. Ninguém está saindo de lá porque quer, está saindo por causa da fome e da ditadura. Devemos acolher, sim, mas também buscar maneiras de pressionar o governo (da Venezuela) para que aja de maneira diferente”, afirmou.
De acordo com Bolsonaro, os governos do PT deveriam ter imposto sanções ao então presidente venezuelano Hugo Chávez quando o processo classificado por ele como ditadura começou a ser implantado no país vizinho. Outro erro, afirmou o presidente eleito, foi permitir a entrada da Venezuela no Mercosul.
Brasília
Nesta semana, mais 50 imigrantes venezuelanos devem chegar a Brasília. Eles também serão levados para a região administrativa de São Sebastião. O objetivo é levar 1325 venezuelanos para a capital federal até o final do ano.
Segundo o coordenador nacional da Cáritas Brasileira, Fernando Zamban, a ação faz parte do projeto Pana, que significa “amigo” na língua da etnia indígena venezuelana Warao. O projeto atua em conjunto com o governo federal no transporte dos refugiados, mas é independente na manutenção da infraestrutura de abrigo.
Dependendo do caso, as famílias poderão ser inscritas no programa Bolsa Família ou receber outros benefícios sociais até terem condições de ser inseridas no mercado de trabalho brasileiro.
A Cáritas também vai oferecer suporte psicossocial e pedagógico aos imigrantes, além de assistência em casos de violação de direitos. O atendimento será feito na chamada Casa de Direitos, instalada no centro comercial Conic, localizado na área central de Brasília. Na Casa dos Direitos, os venezuelanos também terão apoio para retirada de documentos.
No grupo que chegou na quinta (29) à capital federal, foram incluídos refugiados LGBT, que estão recebendo apoio diferenciado para evitar que sejam alvo de discriminação e preconceito. “Chegar a um país estranho já é um baque cultural, com toda a carga preconceituosa da sociedade. Imagina a situação de um grupo LGBT. Isso torna a inserção um pouco mais complicada, mas temos buscado mecanismos de construção para que sejam aceitos e tenham vida normal como em qualquer lugar”, afirmou o coordenador da Cáritas.
Desde o início do programa de interiorização de venezuelanos coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, 3.200 refugiados foram levados de Roraima para outras unidades da Federação. A ação tem o apoio da Agência das Nações Unidas para Refugiados, entre outras instituições da sociedade civil e dos governos federal, estadual e municipal.
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