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Mundo Nos Estados Unidos, crianças eram treinadas para atirar em escolas

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Vista do local onde os menores eram mantidos. (Foto: Reprodução)

As 11 crianças encontradas famintas em um complexo no Novo México, nos Estados Unidos, estavam sendo treinadas por cinco adultos para usar armas de fogo com o objetivo de realizar ataques armados em escolas, segundo documentos judiciais apresentados pelos promotores. Elas têm entre 1 e 15 anos e agora estão sob a proteção do Estado.

O principal suspeito, Siraj Ibn Wahhaj, também foi acusado de sequestrar seu filho de 3 anos em sua casa em Atlanta em dezembro de 2017. As buscas pelo menino levaram as autoridades ao complexo, descoberto na semana passada na região ao Norte de Taos.

Embora não tenha sido registrada uma acusação pelo uso de armamento, os promotores explicaram que os acusados eram suspeitos de treinar as crianças “com armas para promover uma conspiração para cometer tiroteios nas escolas”. A alegação de que isso estaria acontecendo foi baseada em declarações de pais adotivos de uma das crianças.

O xerife do condado de Taos, Jerry Hogrefe, disse que os investigadores encontraram um campo de tiro em uma extremidade do complexo, situado perto da fronteira com o Colorado. Os policiais viram dois homens com um rifle AR-15, cinco carregadores de 30 cartuchos e quatro pistolas carregadas.

Wahhaj, de 39 anos, cujo primeiro nome foi erroneamente apresentado em alguns documentos do tribunal como Huraj, foi descrito como estando no controle do complexo. Ele estava fortemente armado quando foi levado sob custódia, disse Hogrefe.

Dois homens e três mulheres foram indiciados por abuso infantil, respondendo por 11 acusações de terceiro grau relacionadas à negligência. “Encontramos os meninos nas condições de vida e de pobreza mais tristes que já vi”, afirmou um agente.

Hogrefe contou que os únicos alimentos que havia no local eram algumas batatas e uma caixa de arroz.
“Mas o mais surpreendente e desolador foi quando a equipe localizou um total de cinco adultos e 11 crianças que se pareciam com refugiados do terceiro mundo. Não apenas sem comida ou água fresca, mas sem sapatos, higiene pessoal e, basicamente, com panos sujos como roupas.”

Corpo de criança é encontrado

As autoridades acreditam que o corpo encontrado na segunda-feira (6) é do menino desaparecido, mas ainda não foram feitos os exames para identificá-lo. Em uma audiência na quarta-feira (8), Mahhaj e os outros quatro acusados, Lucas Morton e três mulheres, que supostamente eram as mães das 11 crianças sobreviventes, se declararam inocentes dos crimes de abuso infantil. As mulheres foram identificadas como Jany Leveille, Subhannah Wahhaj e Hujrah Wahhaj. Morton também foi acusado de abrigar um fugitivo.

Os promotores não mencionaram nos processos judiciais o motivo ou a ideologia para tal ação, mas disseram que cada um dos suspeitos estava sob investigação pela morte do menino. De acordo com documentos judiciais, quando as crianças foram encontradas, elas estavam vestindo farrapos e pareciam ter passado dias sem comida. Armas de fogo carregadas estavam ao alcance delas.

Aleksandar Kostich, um defensor público que representa os cinco adultos, disse que a formulação idêntica das alegações sobre o treinamento de armas em cada petição sugere que os promotores não têm certeza sobre as informações que receberam.

Um homem que se identificou como Gerard Jabril Abdulwali, de 64 anos, pai de Morton, compareceu à audiência, onde gritou “Allahu Akbar”, em árabe, que significa “Deus é grande”. Ele disse que veio do Egito e estava nos Estados Unidos por razões médicas, mas não tinha notícias do filho desde o ano passado, até que recebeu uma mensagem de texto de Morton dizendo que “eles estavam morrendo de fome”.

Abdulwali disse que seu filho e os outros suspeitos são “pacíficos colonos adultos”. — Eles estavam em um campo tentando estabelecer uma comunidade pacífica, ter uma vida pacífica longe da sociedade — afirmou. “Eles acabaram indo pelo caminho errado.”

 

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